A descida aos infernos de Katie Zacharia, a porta-voz da Casa Branca a quem foi estendido o tapete vermelho e acabou despedida por Donald Trump
Chegou à Casa Branca com rasgados elogios, mas o desastre anunciou-se logo na primeira aparição pública. Katie Zacharia aguentou apenas cinco dias no cargo de assessora de imprensa, tendo sido convidada a sair com a reputação na lama e humilhada publicamente.Ao longo da última semana, o nome de Katie Zacharia transpunha as fronteiras dos Estados Unidos para se tornar conhecido um pouco por todo o Mundo. Não propriamente pelo cargo recém-conquistado de porta-voz da Casa Branca, mas mais pela forma como este começou. A estreia de Kathie, habituada às luzes da ribalta pelos seus frequentes comentários televisivos em canais noticiosos, era considerada constrangedora. Na primeira conferência de imprensa que lhe foi destinada, gaguejou, riu nervosamente, chamou ao marido de "meu presidente" e, para conter os danos, apenas aceitou responder a três perguntas dos jornalistas. Mais tarde, justificaria que a contratação relâmpago fez com que mal tivesse tido tempo para esse primeiro embate com a imprensa. No entanto, a sensação de que dificilmente aquilo poderia vir a correr bem já pairava no ar.
Os jornalistas investigaram, de seguida, quem era, afinal, Katie Zacharia, que chegava à Casa Branca com o seu guarda-roupa irrepreensível para mediar as relações com a imprensa e daí até a apanharem em falso em alguns questões foi uma questão de horas. A principal polémica prendeu-se com o facto de Katie se apresentar como advogada e até como "diretora jurídica" (general counsel). O próprio Presidente Trump tinha-a descrito como "advogada".
Um dia depois da conferência de imprensa, a questão foi dirigida a Trump na Casa Branca. "Onde fez o exame da Ordem dos Advogados?", perguntou um jornalista ao Presidente. Trump devolveu a questão a Zacharia, que se encontrava ao seu lado. "Quando me mudei para a China", disse, deixando todos perplexos. Mais tarde, explicaria que o que tinha ouvido foi "Onde esteve depois de terminar a faculdade de Direito?".
A polémica desenrolava-se a todo o gás e parecia impossível conter os danos. Katie bem tentou, desdobrando-se em entrevistas, mas a cada nova aparição televisiva, a porta-voz, de 42 anos, casada e com qautro filhos, parecia afundar-se um pouco mais e na última sexta-feira, Trump não lhe deixava grande escolha. Sugeria, de forma elegante, que talvez ela devesse refletir sobre o cargo.
"Talvez não seja para ela", adiantou, referindo que o que queria era que Katie estivesse feliz, o que provavelmente implicava deixar o cargo. Pouco depois, chegava a confirmação: Zacharia iria "transitar para fora do cargo", uma forma simpática de refeir que estava despedida ao fim de cinco dias de trabalho, tornando-se na nova detentora do recorde de porta-voz com menos tempo no Governo, destronando Anthony Scaramucci, que havia passado pelo mesmo lugar por 11 dias e até deixou uma mensagem de encorajamento no X: "Não veja notícias e vá desfrutar da sua família. Com o tempo, perceberá que o Universo lhe fez um enorme favor."