Quem é o 'Falling Man'? 25 anos depois, o mistério da fotografia do 11 de Setembro mantém-se
Na próxima sexta-feira assinalam-se 25 anos dos atentados às Torres Gémeas, em Nova Iorque. Um quarto de século depois, ainda subsiste um dos grandes enigmas daquela tragédia.Entre as imagens que ficaram associadas ao 11 de Setembro, poucas provocaram tanta discussão como a fotografia de um homem a cair de uma das torres. O momento foi registado pelo fotógrafo Richard Drew e acabou por ficar conhecido em todo o mundo como 'The Falling Man'.
A fotografia correu jornais e revistas, mas havia uma pergunta para a qual ninguém conseguia encontrar uma resposta: quem era aquele homem? A dúvida deu origem a várias tentativas de identificação. Uma delas levou até Norberto Hernandez, funcionário do 'Windows on the World', o restaurante que funcionava no topo de uma das Torres Gémeas. O jornalista Peter Cheney, do 'The Globe and Mail', investigou essa possibilidade e concluiu que poderia tratar-se do pasteleiro.
A família de Hernandez não aceitou a conclusão. A mulher e a filha reconheceram que a imagem era demasiado difícil de suportar e rejeitaram a ideia de que fosse ele o homem fotografado. Anos depois, o caso voltou a despertar atenção. O jornalista Tom Junod decidiu investigar a fotografia para a 'Esquire', depois de a viúva de Hernandez lhe pedir ajuda para esclarecer definitivamente a questão.
O jornalista chegou a uma conclusão diferente. Para Junod, o homem seria Jonathan Briley, de 43 anos, técnico de som do mesmo restaurante. Briley morreu nos atentados, tal como várias outras pessoas que trabalhavam no 'Windows on the World'. A roupa tornou-se uma das pistas mais importantes. Na fotografia, o homem aparece com uma peça interior de cor laranja e sapatos pretos abotinados. Junod encontrou semelhanças entre esses detalhes e aquilo que sabia sobre Briley.
Havia ainda outra peça neste puzzle: Gwendolyn Briley, irmã de Jonathan. Quando viu a fotografia, admitiu que a figura lhe fazia lembrar o irmão. Mas deixou também claro que não podia afirmar que era ele. E é aqui que o mistério permanece. A hipótese de Jonathan Briley é considerada por alguns investigadores como a explicação mais provável, mas nunca surgiu uma prova definitiva capaz de fechar o caso.
Para Gwendolyn, porém, havia algo mais importante do que o nome que pudesse ser colocado naquela fotografia. Aquele homem representava uma vida interrompida e alguém que tinha pessoas à sua espera. “Era filho de alguém, marido de alguém, amigo de alguém”, afirmou.
Vinte e cinco anos depois, a identidade do 'Falling Man' continua sem confirmação oficial. A fotografia permanece, assim, não apenas como um dos registos mais perturbadores daquele dia, mas também como o retrato de uma vítima cuja história nunca chegou a ser completamente esclarecida.