Um mês depois da tragédia, Lucas Trejo escreve carta carregada de dor à mulher e aos filhos que perdeu
Há um mês, a vida de Lucas Trejo desmoronou-se. O jogador argentino perdeu a mulher, Yanina Maranella, e os dois filhos, Aarón, de 7 anos, e Ainhoa, de 5, vítimas dos violentos sismos que devastaram a Venezuela.Trinta dias depois da tragédia, Lucas Trejo encontrou forças para escrever uma carta que está a emocionar milhares de pessoas no mundo inteiro O jogador argentino perdeu a mulher, Yanina Maranella, e os dois filhos, Aarón, de 7 anos, e Ainhoa, de 5, nos sismos que devastaram a Venezuela. "A única coisa que verdadeiramente me aterrorizava era perder a minha família." É com esta frase que o futebolista inicia o desabafo publicado nas redes sociais, onde recorda a dor que viveu desde o momento em que soube que o prédio onde estavam a mulher e os filhos tinha ruído.
Naquele momento, Lucas Trejo enfrentou o maior medo da sua vida. O jogador estava concentrado com a equipa, em Caracas, quando recebeu a notícia de que o edifício onde estavam Yanina e os filhos, em Praia Grande, tinha desabado. Durante horas, agarrou-se à esperança de um milagre e fez questão de acompanhar as buscas. Um cenário de destruição onde, como o próprio admite, teve de encontrar forças que nunca imaginou ter.
"Coube-me procurar num edifício completamente destruído pela minha mulher e pelos meus filhos, sabendo que eles podiam já não estar vivos. Não havia nada que me assustasse mais em toda a minha existência." Apesar da dor e do medo, Lucas recusou perder a fé.
"Decidi fazê-lo acreditando que ainda podiam estar vivos. Por isso esta imagem. Quando começou o terceiro dia, decidi juntá-los e rezar por um milagre. É assim que escolho viver: pela fé, mesmo nas circunstâncias mais difíceis." Mas o pior acabou por confirmar-se. Depois de 72 horas de buscas, os corpos de Yanina, Aarón e Ainhoa foram encontrados sem vida entre os escombros.
Um golpe impossível de imaginar para o futebolista, que revela ter sido amparado por familiares, amigos e por todos aqueles que nunca o deixaram sozinho. "Cada uma dessas pessoas tem um nome e lembro-me muito bem de quem esteve comigo. Deus enviou-vos para me protegerem e me ajudarem a suportar uma dor que parecia impossível. Nunca me deixaram sozinho."
Na carta, Lucas Trejo deixa ainda uma promessa à mulher e aos filhos: continuar a honrar a história que construíram juntos: "A vida deles não vai ser em vão. Aquilo que começámos com a minha mulher Yanina e com os meus filhos Aarón e Ainhoa vai continuar, porque acredito que o propósito de Deus para essa nação se vai cumprir".