Como e quando se conheceram? As muitas perguntas sem resposta que continuam a pairar sobre a mãe e o padrasto que abandonaram as duas crianças à beira da estrada
Já se conhecem alguns dados sobre o casal francês que estão em prisão preventiva pelos crimes de ofensa à integridade física agravada e exposição e abandono. Contudo, ainda há muitas pontas soltas que serão fundamentais para chegar às razões que os levaram a cometer tão cruel ato.Perigo de fuga, perigo de perturbação do processo, perigo de continuação da atividade criminosa e perigo de perturbação da ordem e tranquilidade públicas: estas foram as razões que levaram o juiz do Tribunal de Setúbal a decretar a prisão preventiva a Marine Rousseau, de 41 anos, e Marc Ballabriga, de 55.
O tribunal considerou "fortemente indiciada, relativamente à arguida Marine Rousseau, a prática de dois crimes de exposição ou abandono agravado". Já sobre o arguido Marc Ballagriga, o tribunal considerou fortemente indiciada "a prática de dois crimes de exposição ou abandono e de um crime de ofensa à integridade física qualificada".
Detidos após terem abandonado duas crianças de tenra idade, de cinco e três anos, à beira da estrada, Marine e Marc têm a sua vida sobre um rigoroso escrutínio levado a cabo pelas autoridades de forma a perceber-se a razão que os levou a cometer um ato tão cruel com os dois filhos mais novos da sexóloga. Já se conhecem alguns pormenores, mas ainda há muitas perguntas que continuam sem respostas facto que dificulta o apuramente das motivações deste casal.
Aquilo que já foi divulgado sobre a mãe das crianças é contraditório com o ato cometido. O próprio presidente da Câmara de Colmar garante que se está perante uma mulher "muito discreta", "de classe média alta" e "intelectualmente talentosa". Marine trabalhava no hospital local na área da psicomotrocidade, recém divorciada criava os filhos sozinha. Uma das crianças frequentava uma creche municipal e a outra o pré-escolar público. O mais velho frequenta a escola da cidade.
Segundo Eric Straumann, não havia até ao momento "nenhum sinal específico" que levasse os serviços sociais a estar em alerta quanto ao comportamento desta mãe. "Não estávamos a lidar com uma família que enfrentasse grandes dificuldades sociais; em todo o caso, isso não era evidente para as equipas educativas", assegurou o referido autarca.
Está por apurar quando é que Marine Rousseau conheceu Marc Ballabriga, como é que chegaram à fala e as razões que os levaram a deixar uma vida estável - pelo menos no caso dela - e a partir para Portugal. O que levou esta mulher a obrigar os filhos a chamar "pai" ao companheiro e porque não se impunha às alegadas agressões do ex-polícia aos meninos?