Marcados pelo horror e pela humilhação: quem são, afinal, os dois médicos portugueses detidos pelo exército de Israel?
Os dois médicos portugueses que viveram dias de pânico na flotilha humanitária para Gaza. Detidos em águas internacionais, os clínicos regressam a casa marcados pela violência.A interceção em águas internacionais da missão humanitária 'Sumud Global Flotilla' pelas forças israelitas colocou dois nomes portugueses no centro do abalo diplomático e das movimentações geopolíticas: Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias. Ambos são médicos e integravam o contingente de cerca de 430 ativistas que tentava fazer chegar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Os dois profissionais de saúde foram detidos na passada segunda-feira pelas autoridades de Telavive, a bordo de uma embarcação que acabou intercetada pelas forças militares. O caso escalou rapidamente para um incidente internacional, com a organização da Flotilha a denunciar em conferência de imprensa a existência de "violência física e sexual generalizada e sistemática" contra os participantes, num processo marcado por imagens polémicas onde o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, surge a humilhar os detidos.
O percurso destes dois médicos está agora sob o acompanhamento direto do Governo português. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou esta quinta-feira, 21 de maio, que ambos "estão bem de saúde", embora "bastante marcados pela situação vivida nos últimos dias".
O chefe da diplomacia portuguesa revelou ainda que a embaixadora e o cônsul nacionais em Telavive foram impedidos pelas autoridades israelitas de contactar com os médicos à saída do centro de detenção, uma atitude que motivou um protesto formal por parte de Portugal. O diplomata português apenas conseguiu falar com Maria Beatriz e Gonçalo já no aeroporto. Entretanto, o Executivo já tinha convocado o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra as detenções operadas em águas internacionais, alegando uma "violação do direito internacional". A própria União Europeia já veio classificar o tratamento dado aos ativistas como "completamente inaceitável".
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o processo de deportação já está em marcha. Os dois médicos portugueses viajaram esta quinta-feira para Istambul, na Turquia, onde são acompanhados pela embaixadora portuguesa naquele país. Está previsto que embarquem num voo de regresso a Portugal na manhã desta sexta-feira, 22.