Miguel Vieira enfrenta novo golpe na luta contra o cancro: "Células duplicaram e estavam nas costelas a corroer o osso"
Dois meses após ter-lhe sido retirado metade do pulmão esquerdo, o designer português revela que o cancro atingiu a zona óssea. Emocionado, mas determinado, o estilista confessa ter chorado ao receber o diagnóstico, mas garante que não vai baixar os braços.O ano de 2026 continua a impor duros golpes à vida de Miguel Vieira. A atravessar uma batalha exigente contra a doença, o aclamado estilista português recorreu às redes sociais para partilhar um desabafo emotivo e doloroso, revelando que o cancro que o afeta sofreu uma evolução inesperada e se espalhou para as costelas.
A revelação surge escassos dois meses após uma delicada intervenção cirúrgica na qual lhe foi removida metade do pulmão esquerdo. Contudo, o alívio esperava-se e não chegou: as dores intensas persistiram, levando a equipa médica a realizar novos exames de diagnóstico que trouxeram a pior das notícias.
Numa nota pessoal e desarmante publicada na sua conta de Instagram, o criador de moda abriu o coração sobre os dias sombrios que tem vivido. "Foram quatro meses de uma incerteza sufocante desde o diagnóstico de cancro no pulmão esquerdo, e dois meses desde a cirurgia que me levou o tumor e metade do pulmão. Mas o pior... o pior era a dor diária, insuportável, um sofrimento que parecia não ter fim, nem resposta. Na semana passada, o exame PET trouxe a verdade", começou por relatar.
O resultado do exame acabou por explicar o calvário que estava a enfrentar: "A notícia que me tirou o chão: as células cancerígenas na pleura tinham duplicado de dimensão e estavam alojadas nas minhas costelas, a corroer o osso. Era daí que vinha parte daquela dor horrível".
Apesar de ser reconhecido pela sua força de espírito, Miguel Vieira não escondeu a fragilidade do momento em que confrontou o avanço da doença. "Chorei e voltei a chorar. Acho-me sempre o Super-Homem, mas descobri que afinal não sou", confessou o designer com uma honestidade crua.
Contudo, o diagnóstico permitiu à equipa do IPO (Instituto Português de Oncologia) redefinir os procedimentos a seguir. Ajustado o "cocktail" de quimioterapia e agendada uma radioterapia de urgência para combater a lesão óssea, o estado de espírito do estilista transformou-se: "O choro passou. A tristeza deu lugar à garra. Agora agarro-me com todas as forças ao que muito gosto de fazer".
Numa altura em que o corpo pede descanso, é a arte e o trabalho que servem de combustível para a sua recuperação. Miguel Vieira encontra-se em preparativos intensos para encerrar a Semana da Moda de Milão no calendário feminino, num feito inédito para a moda nacional.
"Fechar a semana da moda de Milão no calendário feminino é um marco histórico para Portugal, um sonho e uma responsabilidade gigante que carrego no peito com imenso orgulho. Criar tira-me a dor e ocupa-me a cabeça. Vivo numa montanha-russa de emoções. Sinto medo, sinto dor, mas sinto, acima de tudo, um amor avassalador", descreveu.
Apoiado por uma vasta rede de amigos e admiradores, Miguel Vieira faz questão de sublinhar ainda a corrente de solidariedade que o envolve nesta fase delicada. "Olho em redor e vejo amigos dos quatro cantos do mundo, de todas as crenças e religiões, unidos numa só corrente de oração e carinho por mim. Que bênção profunda é perceber as pontes de afeto que construí ao longo da vida", rematou, deixando uma palavra de profundo agradecimento aos profissionais do IPO, aos familiares, amigos e à sua equipa.
"A luta é muito dura, mas o meu amor pela Vida e pela minha arte é infinitamente maior. Seguimos juntos, com o coração", concluiu o designer, que promete continuar a dar o seu melhor tanto na passerelle como na vida.