O que anda Ruben Amorim a fazer? "Imagino que esteja por cá. Que vá buscar os filhos à escola. Que veja futebol quando a casa está a dormir"
O escritor Luís Osório diz sentir saudades do treinador que "revolucionou o Sporting" e "reconciliou muitos de nós com o futebol"."Espero não ser mal interpretado. Quando se escreve sobre personagens do mundo da bola há sempre quem faça por dividir as águas ou encontrar ardilosas estratégias ou dinheiro a untar mãos gananciosas", começa por escrever Luís Osório no seu habitual 'Postal do Dia', crónica que escreve para a Antena 1 e que publica nas redes sociais.
Assume de seguida o escritor: "Sou benfiquista e sinto-me bem entre sportinguistas, portistas, bracarenses ou vimaranenses – tratam-me maravilhosamente em todo o lado onde vou, não sei se me devo orgulhar disso, mas envaideço-me à mesma." Acrescenta: "Espero não ser mal interpretado, comecei por te dizer. É muito simples: tenho saudades de Ruben Amorim. Saudades das conferências de imprensa, do seu sorriso franco, da maneira como descomplicava as coisas, de um bafo de futuro e juventude que me permitia o luxo da esperança em dias melhores. Não te sei explicar melhor do que isto."
"Ruben tem 40 ou 41 anos. É um tipo discreto, desapareceu das nossas vistas quando se fez ao deserto após ser despedido pela primeira vez. Não tem redes sociais. Não dá entrevistas. Vemo-lo aqui ou ali em fotografias dispersas... com amigos, com a mulher num centro comercial ou a beber um café num lugar qualquer", sublinha o também jornalista.
Sobre o que andará o treinador a fazer, Luís Osório diz: "Imagino que esteja por cá. Que vá buscar os filhos à escola. Que veja futebol quando a casa está a dormir. Sei que continua a aparecer sorridente nas fotografias, mas não chega para resolver as saudades que tenho do homem."
Prossegue este 'Postal do Dia' sobre Ruben Amorim: "Revolucionou o Sporting, mas fez mais do que isso: reconciliou muitos de nós com o futebol. Oferecia-nos confiança quando falava e sorria. Os sportinguistas amavam-no, os benfiquistas desejavam-no, os portistas temiam-no. E nada o afetava. Parecia leve, sem pressão, sem peso negativo, sem maledicências, sem o fatalismo próprio de tantos de nós, portugueses e paradoxais."
E termina com um apelo: "Tenho saudades do Ruben como se fosse família. Não me importava que fosse treinador de um clube rival, desde que o pudesse ver e ouvir nas conferências de imprensa mais a sua confiança, boa energia e sorriso que convocava bons espíritos. Não te esqueças de nós, meu amigo."