Palacete do British Council em Lisboa vendido por 15 milhões: conheça a história do local emblemático que chegou a ser do burlão Alves dos Reis
A venda do imóvel, no Príncipe Real, leva à saída da instituição britânica do local, onde permaneceu durante 84 anos.O governo britânico decidiu vender o palacete lisboeta que albergava o British Council há 84 anos.
Segundo a revista Sábado, o Palacete do Menino de Ouro, situado na rua Luís Fernandes, Nº 1 e Nº3, no Príncipe Real, foi vendido por 15 milhões de euros a uma imobiliária.
A escritura foi assinada em abril por Richard Fleming, diretor da instituição britânica de promoção da cultura e da educação, "em representação do governo britânico de Sua Majestade do Reino Unido da Grã Bretanha e da Irlanda do Norte".
O diretor revelou à revista que o palacete "já não oferecia uma boa relação preço/qualidade para o contribuinte britânico" dado o "declínio acentuado no número de alunos", alegadamente devido à perda de moradores naquela área altamente turística.
O palacete do século XIX foi construído entre 1884 e 1887 por Luís Fernandes, um homem que tinha feito fortuna e que era conhecido pela sua paixão por viagens e pela arte. Parte da coleção que reuniu acabaria, posteriormente, no Museu Nacional de Arte Antiga.
A sala de conferências conserva azulejos da fábrica francesa de Sarreguemines e vitrais revivalistas. No jardim existe ainda uma antiga estufa de ferro e vidro, enquanto os muros exteriores estão decorados com azulejos com cenas rurais, pintados por José António Jorge Pinto em 1908.
Em 1922, o palacete foi adquirido por Artur Alves dos Reis, o célebre falsário português responsável por uma das maiores fraudes financeiras da história do País.
Mais tarde, o imóvel passou para o Estado português, acabando por ser adquirido pela Embaixada Britânica em 1942, onde viria a instalar o British Council, em 1943.