Depois de dez anos sob os holofotes mediáticos e as refregas políticas que marcaram os últmos tempos do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa começa agora a redescobrir o prazer da liberdade – de alguma, pelo menos. Numa entrevista reveladora à TV Guia – que está nas bancas – o ex-Presidente da República abriu o jogo sobre os seus planos para os próximos meses, garantindo que a política passou, definitivamente, para segundo plano. "A minha ideia é não haver nada político nestes primeiros meses", assegurou.
No entanto, desengane-se quem pensa que Marcelo vai ficar em casa a descansar, a viver a reforma. Pelo contrário, o antigo Chefe de Estado já tem os próximos seis meses planeados ao detalhe, com passagens confirmadas por feiras do livro, de Lisboa ao Porto, e eventos culturais como o festival Babel. No entanto, o foco agora é outro: "Quero que [as aparições] sejam mais educativas, culturais e depois sociais", explicou, revelando que pretende dedicar-se ao voluntariado e aos cuidados paliativos.
Uma das grandes curiosidades dos portugueses é saber como Marcelo irá lidar com a nova figura em Belém, António José Seguro, e se conseguirá resistir ao comentário e análise políticos. Sem rodeios, o ex-Presidente deixou claro que não pretende ser uma "sombra" para o novo Chefe de Estado. "O Presidente é Presidente... Ele é o Presidente, não há mais outros presidentes", afirmou de forma perentória, afastando (pelo menos, para já) qualquer hipótese de intervenção política.
Habituado à proximidade com as pessoas, o 'Presidente dos Afetos' Marcelo está a "redescobrir" os encantos da vida local. Com convites a a cairem das mais diversas regiões, como Cascais, Celorico de Basto e Lisboa – terras onde foi autarca –, o professor quer focar-se em associações e ONGs, fugindo dos temas fraturantes da atualidade nacional. "Vou redescobrir a piada do ambiente mais próximo de minha casa. Eu fui autarca em Cascais durante muito tempo, no início. E mantive sempre uma ligação muito grande a Cascais", justifica.
Quanto às férias no Algarve? O mistério mantém-se. "Ainda não defini", refere apenas. Para já, o foco de Marcelo Rebelo de Sousa é organizar uma agenda que lhe permita estar mais próximo da cultura e das gentes e menos da política.