Fernando Madureira, conhecido como Macaco, já saiu em liberdade esta sexta-feira, após ter estado detido na cadeia anexa da Polícia Judiciária do Porto. A libertação do antigo líder dos Super Dragões resulta da revisão da pena aplicada no âmbito da Operação Pretoriano.
A condenação, inicialmente fixada em três anos e nove meses, foi reduzida para três anos e quatro meses, o que alterou o limite legal da prisão preventiva. Como o processo ainda não transitou em julgado, Fernando Madureira encontrava-se em prisão preventiva, cujo prazo máximo passou a ser de um ano e oito meses.
Para Sandra Madureira é o interregno no calvário em que se transformou a sua vida desde que, a 31 de janeiro de 2024, a polícia irrompeu pela sua casa adentro, com um mandato de captura para a deter e ao marido, Fernando Madureira, no âmbito do processo Pretoriano, que pôs a nu não só os ataques ocorridos na Assembleia Geral do FC Porto, mas também esquemas na obtenção de bilhetes do clube e ainda o enriquecimento com bases pouco lícitas, que o casal tem demonstrado ao longo dos anos.
Em liberdade, o foco de Sandra voltou-se para as filhas, nomeadamente as duas mais novas, em idade escolar, e que foram as que mais se ressentiram de todas as mudanças. De repente, deixavam de ter presente a figura paterna e tinham ainda de lidar com os olhares dos colegas na escola e os dedos acusatórios.
Foram tempos difíceis para a mulher de Macaco, que via também as portas do FC Porto a fecharem na totalidade com a mudança de direção e, mais tarde, a morte de Pinto da Costa, com quem a família nutria uma grande ligação e que terá ajudado o casal a levar um estilo de vida acima da média. Agora, mesmo quando Macaco regressar a casa, é certo que o futuro será necessariamente diferente dos tempos faustosos que viveram à sombra do Dragão.
O ESTILO DE VIDA QUE OS RENDIMENTOS NÃO CONSEGUEM PAGAR
Em 2021, quando foram a tribunal, depois de divulgarem um vídeo em que atiravam um microfone roubado da CMTV contra o tablier de um carro de luxo, Fernando Madureira e a mulher, Sandra, garantiram perante o juiz estar a passar por uma situação financeira delicada, e sem grandes rendimentos a ajudar. Entre as prestações sociais que recebiam, o total fixava-se nos 1500 euros, mas os gastos da família eram, já então, muito superiores a esse montante.
De prestação da moradia onde viviam pagavam 850 euros por mês, mas havia também uma mensalidade de 900 euros da aquisição de um Porsche Panamera e o colégio das filhas mais novas, que rondava os 800 euros. No total, só com os gastos fixos, alegadamente, o casal despendia mais de três mil euros, sendo que ganhava metade, com o facto a ser salientado pelo tribunal.
Além dos encargos mensais, não se podia dizer que o casal levasse um estilo de vida comedido. Não faltava a um jogo do FC Porto na Europa e a isso somava outras viagens pelo mundo, como o luxuoso Réveillon celebrado no Rio de Janeiro.
Nas buscas à casa do casal foram apreendidos dois carros da marca BMW, um Porsche e 50 mil euros em notas, que estavam no interior de um cofre. Além disso, o casal é ainda proprietário de sete imóveis no Porto, que também estão agora na mira das autoridades, com os dois a serem suspeitos de, alegadamente, patrocinar o seu estilo de vida milionário com base em dinheiro obtido de forma ilícita.