O que nos confronta de forma mais dolorosa na história do abandono de dois meninos é a impossibilidade de uma explicação. O normal da vida é que uma mãe tudo faça para defender e proteger os filhos. Mesmo perante a adversidade, parece existir sempre uma réstia de emoção, de elo emocional. Quando isso falha, costuma haver um motivo. Doença, saúde mental, pobreza, miséria humana. Não que isso justifique um abandono ou uma rejeição maternal. Nada o justifica. Mas ficamos a saber o que se passou, e encaixamo-lo numa determinada categoria, mesmo que seja a da pura irracionalidade. No caso dos meninos franceses que emociona o país de forma muito intensa, somos interpelados pela falta de explicação, reforçada pelo facto de a mãe não ter prestado declarações no tribunal, apesar de lá ter entrado a cantar, numa atitude bizarra e combinada pelos adultos “para se fazerem de maluquinhos.” É isto que agrava a sensação de incomodidade. Não encontrarmos explicação possível. Nada encaixar nas categorias existentes. O que se passou? O que esteve na origem daquele abandono? E, porque não entendemos, tudo parece ainda pior. Terá sido pura maldade, a mais vil crueldade? Tudo indica que sim. Porque, infelizmente, a maldade existe.
A bondade
O choque provocado pelo frio abandono de duas crianças teve um contraponto na atitude heroica de um homem, padeiro de profissão, e pai de 10 filhos, que recolheu os meninos e lhes deu um lar durante um par de horas.
A redenção humana chegou através dos valores mais simples, e simultaneamente mais profundos.
As vítimas, nem sempre protegidas
Apanhados de surpresa pela dimensão do drama, a princípio nem todas as televisões investiram no caso. Houve quem não entendesse o que ali se tinha passado, e houve quem não respeitasse a privacidade dos meninos, falhando na protecção da identidade das vítimas. As redacções são compostas, hoje em dia, por muitos jovens, que nem sempre demonstram a necessária maturidade emocional perante o inesperado da vida.
A Subir
Juíza do Tribunal de Setúbal
Por uma vez, a justiça comunicou bem, explicando passo a passo o que estava a fazer e as dificuldades com que se confrontava.
A Subir
GNR
Em poucas horas, as autoridade apanharam o casal francês e levaram-no à justiça.
A Subir
Cliente mistério
Em Fátima, uma portuguesa anónima intuiu quem era aquele casal, e chamou a guarda. O povo, sempre o povo.