Todos os anos, a época dos fogos abre uma querela entre jornalistas e políticos, e dentro da própria classe de repórteres. Acusar os diretos de reportagem de agravarem o efeito dos fogos é um erro clamoroso que ambos cometem. Os políticos no poder, por interesse, para silenciarem o povo e reduzirem a perceção da gravidade do problema. Os repórteres fundamentalistas, por desvalorizarem o seu papel na sociedade e se desqualificarem a eles próprios quando questionam uma das áreas mais nobres do jornalismo, a reportagem em direto. Já o povo mostra de que lado está. As populações agradecem a cobertura em tempo real dos incêndios, porque muitas vezes o falhanço das estruturas do Estado deixa territórios imensos entregues à sua sorte - tal como ocorreu, também, nos temporais de fevereiro. Tão abandonados ficam os locais mais recônditos do País, e as povoações mais longínquas, que, muitas vezes, só o serviço público prestado pelos jornalistas mantém muitas terras ligadas à realidade e com informações em tempo real sobre o progresso das chamas e do combate, sobre emergências e precauções a tomar. No fundo, é nesse verão profundo, a que se costuma chamar a época dos fogos, que a televisão cumpre um dos seus papéis fundamentais. Informar e prevenir. Dotar o povo de conhecimento, no fundo, de instrumentos de poder democrático.
Programação
RTP ou TVI
Eis que julho traz uma nova interrogação para o mercado televisivo. Salvo erro, trata-se de um tema que não surgia desde que o canal 4 deixou de ser da Igreja e contratou Moniz para diretor-geral pela primeira vez, em 1999. A dúvida é simples, e, ao dia 12 em que escrevo, ou seja, ultrapassado o primeiro terço, está pendurada apenas por uma décima: a TVI fica à frente ou atrás da RTP? A compra de vários jogos da pré-época são uma arma valiosa nesta corrida pelo segundo lugar, e devem chegar para que a estação de Queluz de Baixo consiga resistir à pressão do canal público. Mas nada está garantido. Acompanharemos este sprint.
Informação
Regressa o futebol nacional
Voltar a ver jogos nacionais, depois da maratona de futebol superlativo do Mundial, é sempre uma prova difícil para os adeptos, que se repete de 4 em 4 anos. Este ano, depois de perder vários lances do Benfica-Flamengo por causa de repetições desnecessárias, deixo um conselho atempado aos realizadores: vejam as realizações do Mundial, e como quase não há repetições que só servem para perder a intensidade da transmissão em direto.
A Subir
Maria Botelho Moniz
Não é pela apresentadora que o reality-show falha. A pressa e o amadorismo que leva a insistir no formato sem respaldo prejudicam-na.
A Subir
José Fragoso
Mês de julho sólido com possibilidade de ultrapassar a TVI. Só a passagem da Volta a França para a RTP-2 destoa das boas decisões. Com a prova, o canal 1 teria mais armas.
A Descer
Inês Castel-Branco
Vai como rosto de um dos maiores flopes da ficção da TVI, ‘A Madrasta’. E isso não é dizer pouco.