Uma greve geral é sempre um desafio para as televisões. Desde logo, um desafio interno, porque algumas delas são afectadas pela paralisação, e manter o nível de cobertura pode ser complexo. Depois, é necessário fazer um acompanhamento extensivo, tanto no espaço como no tempo. Há muitas áreas de actividade em que é preciso fazer reportagem, em muitos pontos do País, e ao longo de mais de 24 horas, período ao longo do qual se prolongam os efeitos da greve geral. O esforço exigido aos jornalistas e a exigência imposta aos meios é enorme, e muito intensivo. Grosso modo, porém, e apesar de algumas entrevistas em estúdio se terem prolongado demasiado para tornear a aparente falta de material, fruto de adesões à greve nalgumas redacções, a cobertura da greve geral do dia 3 de Junho voltou a proporcionar belíssimo serviço público aos espectadores. O dia inteiro de greve, porém, voltou a desembocar em confrontos à porta do Parlamento, já a caminho do horário nobre. Este episódio final de violência perto da Assembleia começa a tornar-se hábito, sempre que há este tipo de movimentações colectivas. Desta vez, a polícia parece ter perdido um bocado a calma, e perseguiu os manifestantes nas ruas em redor do local onde começaram os tumultos. Foi um péssimo desfecho para um dia que tinha corrido bem, quase como uma lição de democracia. Se se verificar efectivamente que há uma estratégia de grupúsculos de extrema-esquerda para proporcionar estas cenas lamentáveis, seria bom que a PSP começasse a preparar-se com outro critério, e sobretudo com outra antecipação. Para evitar a armadilha de acabar por fazer o jogo de quem está a provocar.
Programação
Contra-natura
O reality show da TVI vive de um princípio básico: pessoas fechadas numa casa, as quais fazem tudo para não sair. Contrariar esse princípio, como aconteceu na semana passada, é contra-natura, e só prejudica o formato. A necessidade de puxar pelas audiências não deve resultar na destruição dos modelos. Isso nunca dá resultado.
Informação
Travessia do deserto
Gouveia e Melo agora é comentador na CNN. Sofre do efeito Cotrim na SIC Noticias: a derrota nas eleições ainda o marca e afasta público. Os portugueses têm essa característica particular: são pouco dados a dar atenção a quem foi desgastado por uma derrota. Até inventámos uma expressão para o explicar melhor: a travessia do deserto. Gouveia e Melo e Cotrim são dois pesos mortos para os canais que lhes dão palco.
A Subir
Paulo Rangel
Ao contrário de outros ministros, foi claro, pedagógico e contido ao explicar a eleição para o Conselho de Segurança.
A Subir
Palma Ramalho
Boa surpresa a comentar a greve geral. Sem arrogância, com dados, e a agregar. A sua melhor comunicação até hoje.
A Subir
Catarina Miranda
Diga-se o que se disser, é uma entertainer de corpo inteiro, e voltou a prová-lo nos últimos dias.