Com a tomada de posse do Presidente Seguro, segunda-feira passada, chegou ao fim a década de Marcelo Rebelo de Sousa como Chefe de Estado. Foram 10 anos de uma intensidade rara.
Houve três dissoluções no parlamento, rebentou uma guerra no coração da Europa, na Ucrânia, Israel praticamente destruiu a faixa de Gaza, depois de sofrer um atentado atroz, e, no final do mandato, ainda rebentou outro conflito, desta vez no Irão. Marcelo foi, também, confrontado com a pandemia, uma emergência sanitária absolutamente inesperada, com os fogos de Pedrógão e o grande horror das mortes dessa noite, e enfrentou as tempestades bem recentes, que destruíram parte do centro do País.
Também houve muitas alegrias, como o Europeu de futebol, as medalhas olímpicas de Pablo Pichardo e dos heróis do ciclismo. A estes sucessos Marcelo respondeu com um discurso que puxou pelo orgulho português, muitas vezes apelidando os seus concidadãos de “os melhores do mundo” nisto e naquilo. O rol de acontecimentos é enorme, o País e o mundo que o Presidente deixa são muito diferentes daqueles que recebeu. Mas a principal memória que os portugueses terão deste PR são as selfies.
Foi através de um discurso de proximidade, do qual as fotografias eram um instrumento fundamental, que Marcelo consolidou a sua imagem de Presidente dos afetos. É assim que nos recordaremos dele, a partir do momento em que sai de cena. Veremos se foi um adeus, ou um até já.
Informação
A Prova dos Factos
A RTP-1 tem, sexta-feira à noite, um programa de bom jornalismo que tarda em ser reconhecido. Na semana passada, voltou a marcar a agenda com a investigação sobre a dirigente do Chega em Lisboa que explora residências para imigrantes. Trata-se de serviço público de excelência, e é uma opção pelo jornalismo de investigação que deve ser aplaudida.
Programação
Flop no Festival
A final do Festival da Canção registou apenas 409 mil espectadores. Será um dos piores resultados de sempre. O presidente da empresa esteve bem ao rejeitar qualquer tentativa de boicote à Eurovisão por causa de Israel. Fica a sensação de que a RTP teve vergonha de promover a iniciativa, que, por isso, quase passou despercebida. Um falhanço grave na articulação entre o líder da empresa e a direção de programas, que devia ter feito tudo para suportar com um grande evento a coragem de Nicolau Santos.
A Subir
António José Seguro
Chega ao topo depois de uma campanha exemplar. A relação do Presidente com a televisão será diferente.
A Subir
Passos Coelho
Tem uma relação intensa com a televisão. As câmaras gostam dele, e os portugueses ouvem-no com atenção. As intervenções recentes provam-no.
A Descer
Vasco Palmeirim
Sempre foi excessivo o destaque adquirido na RTP, mas fazer dele a imagem do Festival da Canção é mau para o Festival, e para ele.