Um casal apaixonado contra Salazar
Nesta altura, Salazar começou a ouvir falar de Sousa Tavares. Enquanto terminava o serviço militar em Mafra, sentiu-se insultado pelo seu superior hierárquico, o capitão José Beltrão, cavaleiro que tinha ganho uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Berlim. “Senhor alferes Tavares, o seu pelotão está uma merda. Também não admira: quando o comandante é merda, a tropa é merda também”, praguejou numa madrugada. Francisco reagiu logo: “Em posição de sentido, bati os calcanhares, adiantei um passo e disse com a voz sonora e timbrada que recebi na vida como presente de Deus: ‘Meu capitão, desafio-o para um duelo.’” Como arma escolheu a espada. Como nem o comandante, nem o subsecretário da Guerra quiseram tomar uma decisão, Salazar, que era o ministro da Guerra, proibiu o duelo.
O casamento entre Francisco e Sophia, na Igreja de Lordelo do Ouro, em Novembro de 1946, não terá sido bem compreendido por alguns dos amigos da noiva, como assumiu mais tarde Eugénio de Andrade à revista Relâmpago: “Todos os seus amigos estavam, de um ou outro modo, enamorados dela. Talvez daí que todos eles tivessem discordado do seu casamento e o considerassem um desastre.” Miguel Sousa Tavares dá à SÁBADO outra explicação: “Os amigos da minha mãe eram quase todos gays e os gays têm tendência para proteger a sua menina de ouro. Não gostaram muito de ver a minha mãe raptada para vir para Lisboa.”