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Quem precisa de comer atum ? As acusações de "neocolonialismo" que a Europa enfrenta por causa da pesca

Foi aprovado este domingo o estabelecimento de limites mais estritos na pesca do atum-amarelo.
14 de junho de 2021 às 11:19
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Atum Foto: istock getty images

Foi já em março deste ano que várias notícias saíram a público chamando a atenção sobre a atuação da União Europeia em relação à pesca de atum-amarelo no Oceano Índico. Isto porque, apesar da considerável distância entre o Velho Continente e os mares fronteirados por Austrália, índia e a África Oriental, a União Europeia estabelecia-se como a maior exploradora dessa espécie na zona.

As acusações na altura foram de "hipocrisia e neocolonialismo" por parte de um representante piscatório das Seicheles, e em grande parte motivadas pelas medidas insuficientes propostas pela UE na altura para resolver o problema da sobrepesca por parte de navios europeus: opor exemplo, o documento da UE não abordava a utilização de "dispositivos de agregação de peixes", um esquema que ignora a frequência com que peixes juvenis que não se haviam reproduzido acabam por ser igualmente capturados. Em adição a isso, a UE foi também acusada de deixar os seus barcos de pesca de atum deitarem resíduos de plástico nas águas do Índico, segundo um artigo da Mongabay.

À partida para a reunião da Comissão de Atum do Oceano índico nos dias 7 e 11 de junho, as Maldivas eram o país mais preocupado com a situação atual: de acordo com a Seafood Source, grande parte da sua história é baseada na pesca responsável do atum, o que deixa a sua economia em desvantagem perante as técnicas irresponsáveis de captura deste peixe por parte de potências como a União Europeia. Já, no mundo ocidental esse apetite por atum é mais recente, surge apenas no final do século XX, potenciado por estratégias de marketing - a oceanógrafa Sylvia Earle alegou recentemente: "Aquilo que vamos buscar ao alto mar é um luxo, não uma necessidae. Quem é que precisa mesmo de comer atum? A maioria das pessoas no planeta davam-se bem e comiam bem sem ter de consumir atum."

Foi exatamente o pequeno país do Índico que propôs uma ainda mais drástica redução na captura desta espécie, que foi reconhecida como mais "ambiciosa e equitativa" por parte de múltiplas ONGs, do que aquela que estava a ser proposta pela UE. Findada a reunião, o acordo redundou numa redução de 6% nas pescas de atum, o que representa um decréscimo de 21% em relação a 2014.

Assim, apesar de ainda não estar disponível a ata do acordo e de se saber que este não será totalmente idêntico ao proposto pelas Maldivas, o ministro das pescas, recursos marinhos e agricultura maldivo, Hussain R. Hasssan, mostrou-se feliz com o desfecho no Twitter, explicando que, finalmente, foi adotado um plano que "era urgentemente necessário para reconstruir o stock de atum-amarelo a níveis sustentáveis." 

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