O Tribunal confirma que não vale a pena prender quem nem saberá o que lhe aconteceu. Chama até à ida para a prisão do ex-banqueiro de "ato inútil". Quem toma conta do antigo 'Dono disto tudo' agora é a mulher, Maria João Salgado, timoneira à força da família, 'presa' à condição do marido. Mas não é só ela quem sofre. De 1600 lesados do BES 150 já morreram e largas centenas padecem de doenças como a de Salgado. Tudo se arrasta há 12 anos, sem fim à vista.
Os bancos não pedem os mais de mil milhões de euros de volta. O famoso empresário madeirense não tenciona pagá-los. O assunto continua a ser empurrado com a barriga e é uma verdadeira 'Never ending story (história interminável)'. Ele, e os seus 'sócios', são os autores do segundo maior escândalo financeiro do século, depois da queda do BES pela mão de Ricardo Salgado. Agora são os filhos, Renato e Cláudia Berardo, mais os netos, que pediram ao tribunal para os livrar de terem de pagar com o seu património as dívidas do patriarca da família.
Foram criados na mesma casa, como irmãos, cresceram com sonhos e ambições iguais, mas com a queda do BES aconteceria o corte total. Ricciardi, que faleceu esta quarta-feira, foi visto como o grande "delator" do primo e houve uma cisão na família. Espírito Santo e Ricciardi não mais conviveriam, com a dor a estar bem presente entre os clãs até ao fim.
Juiz decretou que Maria João Bastos Salgado passa a responder em nome do marido, face à sua condição de Alzheimer e demência. Agravamento ter-se-á registado desde 2023, altura em que o antigo banqueiro começou a não reconhecer familiares diretos ou a ser capaz de sequer expressar se tem frio ao calor. Documento diz que Ricardo Salgado não sabe o que tem, reconhecer uma nota ou dizer se tem fome. O antigo dono disto tudo já não é, sequer, dono de si próprio...
Durante os próximos dias, ex-banqueiro e Maria João vivem dias de luxo e fausto na Suíça, patrocinados pelo genro multimilionário, que lhes dá uma mesada de 40 mil euros. Uma lufada de ar fresco para a companheira de Ricardo Salgado, que das festas elegantes se transformou em cuidadora do antigo 'dono disto tudo' a braços com a doença de Alzheimer.
Amigo de Ricardo Salgado há mais de 20 anos, o padre Avelino Alves conta, numa longa conversa com a The Mag by FLASH!, como uma das famílias mais poderosas de Portugal tinha tudo e ficou, de repente, sem nada. Visita de casa do antigo banqueiro, aponta ao dedo aos que antes partilhavam com ele viagens e flutes de champanhe e agora o deixam à sua sorte, recorda as traições que fizeram o clã partir-se em dois e a dor que Salgado e a mulher sentem por viverem afastados dos netos. No final, deixa uma palavra de apreço a Maria João Salgado, que assumiu os comandos da família e deu a cara pelos problemas. "Se não fosse a mulher, ele não teria aguentado". Uma reportagem exclusiva à qual também pode assistir em vídeo.
Amigo de Ricardo Salgado há mais de 20 anos, o padre Avelino Alves conta, numa longa conversa com a The Mag by FLASH!, como uma das famílias mais poderosas de Portugal tinha tudo e ficou, de repente, sem nada. Visita de casa do antigo banqueiro, aponta ao dedo aos que antes partilhavam com ele viagens e flutes de champanhe e agora o deixam à sua sorte, recorda as traições que fizeram o clã partir-se em dois e a dor que Salgado e a mulher sentem por viverem afastados dos netos. No final, deixa uma palavra de apreço a Maria João Salgado, que assumiu os comandos da família e deu a cara pelos problemas. "Se não fosse a mulher, ele não teria aguentado". Uma reportagem exclusiva à qual também pode assistir em vídeo.
Aos 78 anos, Maria João Salgado tem em mãos um trabalho inesperado: tomou o lugar do marido, passou a estudar o código penal, dossiers e contas de que pouco sabia e toma decisões a pensar naquilo que Ricardo Salgado faria. "No fundo, agora é ela quem sofre e suporta os processos, o que é uma das grandes injustiças disto tudo", conta uma fonte próxima da família, acrescentando que nos últimos tempos muitos se aproximaram da companheira do ex-banqueiro para lhe dar a mão. Descrita como forte e resiliente, ela não verga e toma agora as dores de toda uma família. Saiba o que mudou na sua vida.
Ricardo Salgado e a mulher têm autorização para continuar a residir na moradia de Cascais, mas sempre que passam a porta de casa são confrontados com aquilo que lhes pertencia e perderam: o imponente Palácio Cor-de-Rosa, que estava nas mãos da família há gerações e foi vendido por 14 milhões. A mansão está agora em obras totais e já nada resta do que era a propriedade mais famosa dos Espírito Santo, que se encontra entre o abandono e a reabilitação, à espera dos novos proprietários, todos poderosos. A The Mag by FLASH! foi ver como decorrem as obras de recuperação.
A Defesa tentou evitar o que aconteceu esta terça-feira em Tribunal, mas o coletivo de juízes negou as suas pretensões. Ricardo Salgado foi obrigado a marcar presença no arranque do caso BES, mas a sua aparência débil gerou surpresa. De passinhos hesitantes, e ar confuso, foi puxado pela mão da mulher, que abriu caminho entre dezenas de jornalistas e operadores de imagem, até à entrada do tribunal, enquanto o ex-banqueiro olhava à sua volta, como se não soubesse bem o que estava ali a acontecer. Para o seu advogado tratou-se "de uma vergonha mundial" para os lesados "estratégia", teatro", uma igual "vergonha", mas vista de outra forma. No meio disto tudo, os peritos levantam questões sobre o real estado do antigo 'Dono Disto Tudo'. Entre o deve o haver, em que ficamos?
Começa hoje a ser julgado o caso que levou ao colapso do BES. Ricardo Salgado, de 80 anos, hoje esquecido pelos amigos influentes, é o principal arguido do processo que mudaria para sempre a vida como a conhecia. Dos luxos, do telemóvel sempre a tocar, dos convites para tudo e mais alguma coisa, o banqueiro passou a ver aqueles que o bajulavam atravessarem a rua à sua passagem. Perdeu a mansão de Cascais, a de Comporta e a memória. De tudo o que se foi, a mulher foi a única que não vergou e, segundo o padre da família, é a única que mantém o antigo dono disto tudo à tona.