Se o dia começou mal para João Cotrim de Figueiredo por causa das declarações sobre o apoio a André Ventura, só tenderia a piorar com as duras palavras de uma antiga assessora, que não poupou nos detalhes para descrever o alegado assédio do político. "Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse: 'Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo'". O candidato foi rápido a reagir, mas a nódoa incrustava-se rapidamente numa campanha que, até aqui, parecia imaculada. Contas feitas, como fica a popularidade do político depois do dia de todas as polémicas?
Candidatos travaram-se de argumentos e conversa subiu de tom em vários momentos: por causa do despedimento de Manuela Moura Guedes "a pedido" de Sócrates, pedofilia e dinheiro. "O João foi viver uma reforma dourada para a Europa e agora regressa "porque o seu ego é maior", atirou o líder do Chega.
Vendeu cabides porta a porta em miúdo, esteve no Turismo de Portugal e administrou várias empresas, mas foi o ano que passou pela direção da TVI que tornaria o seu nome mais conhecido dos portugueses. Da curta mas intensa experiência, ficaria uma amizade para a vida com Cristina Ferreira e uma guerra com Manuela Moura Guedes que o chamou de "pau mandado". Em 2019, deixou todas estas vidas para trás para mergulhar a fundo no universo político, sendo um dos candidatos à Presidência da República.
A jornalista acusou o candidado a Presidente da República de "ter sido um pau-mandado dos espanhóis" e de ter tido uma atitude cobarde. Ele respondeu dizendo que Manuela tem "lapsos de memória incompreensíveis", mas ela não se fica e contra-ataca.
Gastam o dobro da quantia mensal que recebem, mas ostentam a riqueza nas redes sociais. O líder dos Super Dragões e a mulher, agora detidos, expõem sem tabus viagens aos destinos mais badalados, jantares em restaurante exclusivos e um estilo de vida que os seus rendimentos não conseguem justificar.
Diz José Gomes Ferreira: "Não me revejo nesta sociedade em que não há uma censura oficial, mas há uma autocensura promovida pela vigilância mútua das redes sociais. Ou dizes o que a mediana das pessoas dizem ou estás queimado. Não entro nesse jogo. Há mais censura hoje nas redes sociais do que nos anos 30 nos jornais em relação a investigação histórica."