Acabou-se a vida de festas e champanhe. Isabel dos Santos está refém no Dubai, sem poder fugir para lado nenhum
Agarrada ao filho mais novo e às mensagens positivas, Isabel dos Santos volta aos tempos de guerra, mas desta vez num cenário bem diferente de Angola.A escalada do conflito militar no Médio Oriente surpreendeu os multimilionários que estavam no Dubai, incluindo Isabel dos Santos, a empresária angolana vive ali exilada há cerca de oito anos, impedida de sair devido a um mandado de captura internacional.
Moradores e turistas da região viram o principal terminal de passageiros ser atingido por um drone; há relatos do conhecido hotel Burj Al Arab ter sido atingido bem com o luxuoso hotel Faimont The Palm, numa das mais exclusivas zonas da da cidade; e o porto de Jebel Ali foi afetado pela queda de destroços. A cidade também viu alguns incêndios deflagrados após os ataques.
Horas depois dos bombardeios que atingiram alguns pontos do Dubai entre sábado à noite e domingo, a filha mais velha do antigo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, fez duas publicações nas redes sociais para mostrar como viveu os momentos de terror.
“Que os dias difíceis me façam usufruir dos momentos bons que a vida tem”, escreveu numa primeira publicação em que se mostrou ao lado do filho mais novo, de 8 anos.
Em seguida, Isabel, de 52 anos, comentou que “dias difíceis pedem resiliência e acolhimento. Dias difíceis vêm para transformar, não para destruir. Seja seu maior compromisso. O sol sempre volta a brilhar.”
A VIDA DE EXÍLIO DOURADO NO DUBAI
A empresária angolana vive num conhecido condomínio de luxo no Dubai desde 2020, mas antes daquele ano já passava temporadas nos Emirados Árabes Unidos. Quando não estava junto dos vizinhos multimilionários, Isabel estava com os filhos mais velhos no Reino Unido, onde eles permanecem, a estudar. Tudo mudou depois que o Estado angolano formalizou as queixas contra a antiga gestora da Sonangol, acusando-a primeiro de peculato e lavagem de dinheiro e, mais tarde, acrescentando fraude qualificada, participação ilegal em negócios, associação criminosa e tráfico de influência. Em novembro do ano passado, no entanto, o caso teve uma atualização. O Tribunal Supremo angolano deixou cair três dos crimes de que ela era acusada pela gestão da Sonangol entre 2016 e 2017.
Isabel teve também acusações em Portugal, Países Baixos e no Reino Unido, processos que têm marcado a sua vida no exílio de luxo. “Estou muito entediada”, admitiu em 2024 numa entrevista com 'The Sunday Times'. “Sou boa a construir empresas, mas agora passo a maior parte do meu tempo a lidar com advogados”.
Nesta mesma entrevista, Isabel dos Santos admitiu que com as contas congeladas contava com ajuda dos amigos para pagar as despesas de restaurantes e a renda num dos condomínios mais caros do mundo, com mordomias como ginásio, piscinas, jardins privados, sauna e restaurantes à disposição. Um aluguer de um apartamento de luxo no naquela cidade, com três quartos e vista para o mar, pode ultrapassar os 750 mil euros ao ano, segundo imobiliárias locais.
VOLTA O PESADELO DA GUERRA
A vida no exílio obrigou a empresária, que é procurada pela Interpol, a ouvir bombas pela primeira vez desde os anos 1980, quando deixou Angola, sob uma guerra civil, para viver e estudar no Reino Unido.
Sobre esta experiência do passado, recorde-se, Isabel até evita ir à Rússia depois da invasão à Ucrânia. E a Rússia “é um dos poucos países” onde pode ir. “Tenho ligações e é um país que tenho visitado mas nunca vivi ou trabalhei lá. Não tenciono viver na Rússia. Estive em conferências onde Putin participou, como o Fórum Rússia-África. A invasão da Ucrânia? Eu sei o que a guerra traz. Cresci durante uma guerra. É sempre muito triste assistir à destruição da vida humana e à destruição material. Espero que o conflito chegue ao fim”, afirmou ao ‘The Sunday Tmes’.