Casamento do infante D. Dinis era para ser no Porto e já sabemos qual é a igreja escolhida para casar em Lisboa. E não é a dos Jerónimos
Depois da última boda real, em que a Infanta D. Maria Francisca casou na Basílica do Mosteiro de Mafra, eis que D. Duarte, Duque de Bragança, escolheu uma imponente igreja no centro histórico da cidade para casar D. Dinis, o filho mais novo, com a condessa austríaca Anna Schaffgotsch.Sabe-se que Dinis de Bragança, Duque do Porto, vai casar a 16 de outubro de 2027 (um sábado) em Lisboa com a condessa austríaca Anna Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein, mas o que não se sabia é que o casamento do infante esteve para se realizar na cidade Invicta. Segundo o embaixador José Bouza Serrano, antigo Chefe do Protocolo do Estado Português e um monárquico convicto que desempenha um papel consultivo e de organização crucial nos grandes eventos da Família Real Portuguesa, "houve uma reunião entre os pais do noivo e os pais da noiva para definir o local do casamento e a proposta de D. Duarte foi que este acontecesse no Porto, por via do Senhor Infante D. Dinis ser Duque do Porto. Contudo, depois de dialogar com os pais da noiva tomou-se a decisão de que as cerimónias serão em Lisboa", avançou, em exclusivo à The Mag, by Flash!.
Além desta nova informação sobre a família real ter equacionado a possibilidade de o enlace acontecer a norte, e de ter debatido a questão com os condes Maximilian e Marie Schaffgotsch, barões de Trachenberg, pais da noiva, José Bouza Serrano revela-nos ainda em primeira mão qual é o local religioso desejado pela família para celebrar a união, e que não será no Mosteiro dos Jerónimos, conforme foi avançado inicialmente. "Não será no Mosteiro dos Jerónimos, isso foi o casamento dos pais (D. Duarte Pio de Bragança com D. Isabel de Herédia, a 13 de maio de 1995), mas sim na Igreja de São Vicente de Fora", a sede do patriarcado de Lisboa, localizado entre a zona da Feira da Ladra e o Panteão Nacional, entre os bairros de Alfama e da Graça, no centro histórico da capital. A escolha deste local não é aleatória e tem um enorme peso para a monarquia: O espaço é o Panteão Real da Dinastia de Bragança.
O consultor de protocolo, que deverá ser o maestro de toda a organização do casamento do Infante D. Dinis, garantiu que ainda não ocorreu a primeira reunião da equipa que vai orquestrar todos os pormenores das cerimónias e que "ainda é cedo para poder avançar detalhes protocolares", sabendo-se que a tendência, neste tipo de cerimónias, é que não se repitam soluções escolhidas para outros casamentos e os noivos possam personalizar o seu enlace, mantendo, contudo, a tradição portuguesa.
PROTOCOLO SEGUIRÁ AS REGRAS DE OUTRAS BODAS
A última boda real que decorreu em Portugal foi a da Infanta D. Maria Francisca com o advogado Duarte de Sousa Araújo Martins. O casamento realizou-se no dia 7 de outubro de 2023 na Basílica do Palácio Nacional de Mafra, numa cerimónia que reuniu cerca de 1 200 convidados, incluindo membros de várias famílias reais europeias, "os primos", como lhes chama José Bouza Serrano, e figuras proeminentes da sociedade portuguesa.
Na altura, entre os profissionais envolvidos na sua organização estiveram José de Bouza Serrano, antigo chefe do Protocolo do Estado e embaixador, António Almeida Lima, outro antigo chefe do Protocolo do Estado, Isabel Amaral, especialista em protocolo, e Helena Azevedo Coutinho, ligada ao Museu Nacional de Arte Antiga. Esta equipa foi identificada como sendo os principais rostos do evento, num artigo do jornal online 'Observador', publicado dias antes da boda.
O casamento da irmã do Infante Dinis, a Infanta D. Maria Francisca, deixou precisamente a impressão de que o protocolo, quando bem entendido, não é um conjunto de regras destinadas a impor distância, mas uma linguagem capaz de dar sentido à solenidade. A Basílica do Palácio Nacional de Mafra foi o cenário escolhido. A chegada da noiva numa carruagem do século XVIII, a presença de representantes de casas reais europeias, a cerimónia religiosa e, depois, o cumprimento das pessoas que se juntaram no exterior foram momentos de uma mesma narrativa. A tradição não apareceu como uma peça de museu, mas como uma realidade vivida, tendo a noiva escolhido inclusive os Corações de Viana em filigrana de ouro como a lembrança oficial oferecida a todas as senhoras presentes na cerimónia.
UM CASAMENTO CHEIO DE TRADIÇÃO E SIMBOLISMO
As peças carregadas de forte simbolismo foram encomendadas diretamente à Câmara Municipal de Viana do Castelo e produzidas por artesãos locais, servindo como uma sentida homenagem ao artesanato tradicional português e à riqueza cultural do Minho. Além disso, a ligação aos motivos tradicionais minhotos esteve sempre muito presente em todo o casamento. O bolo de casamento, feito pelo chef Francisco Siopa, foi decorado com desenhos inspirados nos típicos Lenços de Namorados do Minho. A noiva é uma grande admiradora desta tradição, tendo inclusive posado com o icónico Traje de Viana (completamente carregado de ouro ao peito) nas sessões fotográficas que antecederam o enlace.
E talvez seja essa a primeira lição para a futura boda do Infante D. Dinis: a tradição não se reproduz mecanicamente. Interpreta-se, tendo sempre em linha de conta que há casamentos que pertencem aos noivos e há casamentos que, pela história das famílias a que dizem respeito, acabam também por pertencer à memória de um país. A boda do Infante D. Dinis de Bragança será, inevitavelmente, uma ocasião onde o amor e a representação se cruzam. Quando um dos protagonistas é o Infante D. Dinis de Bragança, terceiro filho dos Duques de Bragança, a cerimónia adquire uma dimensão que ultrapassa a circunstância familiar. Há uma história, uma genealogia, uma memória e uma determinada ideia de Portugal que inevitavelmente entram na igreja com os convidados.
Há ainda qualquer coisa de profundamente teatral — no melhor sentido da palavra — num casamento real. Não se trata de teatro no sentido da representação fingida, mas antes daquela capacidade, tão antiga quanto a própria monarquia, de transformar gestos privados em acontecimentos públicos, sem que uns tenham necessariamente de sacrificar os outros.
O QUE PODEMOS ESPERAR DA BODA DE D.DINIS
Poucas pessoas terão melhor autoridade para falar sobre a organização de uma boda desta natureza do que José de Bouza Serrano, antigo embaixador e chefe do Protocolo do Estado, que integrou a equipa responsável pelo casamento da Infanta Maria Francisca. Em entrevista ao 'Observador', em setembro de 2023, explicou que a equipa de organização era alargada e reunia pessoas com experiência em diferentes áreas. Entre elas estavam o embaixador António Almeida Lima, Isabel Amaral e Helena Azevedo Coutinho.
Bouza Serrano explicou também que o trabalho se concentrava "especialmente no protocolo, nos convites e na organização da cerimónia em Mafra. É uma distinção importante. Organizar um casamento desta natureza não significa apenas escolher uma igreja, um serviço de catering ou uma decoração. Significa construir uma ordem, antecipar circunstâncias e garantir que cada pessoa, cada instituição e cada família encontra o seu lugar. A precedência é, neste contexto, uma matéria particularmente delicada. A presença de membros de casas reais reinantes, de representantes de famílias históricas, de titulares de ordens honoríficas, de autoridades civis e religiosas exige um conhecimento que não se improvisa", esclareceu.
Como explicou Bouza Serrano ao Observador, para orientar as escolhas "há o Almanaque de Gotha, que tem as precedências" e depois tentar garantir que na prática "toda esta solenidade não retira espontaneidade à celebração". A própria Infanta Maria Francisca deu uma resposta particularmente interessante, numa entrevista concedida ao 'Observador' antes do seu casamento. "Apesar do protocolo, apesar de se calhar parecer um ambiente pesado, vai ser muito descontraído", afirmou, acrescentando: "E é o que eu quero".