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Ele é que é dono disto tudo. A mirabolante e secreta história de Fernando, o famoso 'Emplastro', para os Super Dragões 'O Animal'

Todos os portugueses vão às lágrimas sempre que Fernando dos Santos, o famoso 'Emplastro', aparece nos diretos das televisões a pousar a cabeça no ombro dos jornalistas. Conheça a vida escondida do português comum que nasceu muito pobre e virou estrela até na América.
Por João Bénard Garcia | 03 de setembro de 2026 às 19:29
Treinador e emplastro durante a chegada ao aeroporto Foto: Luís Manuel Neves

Depois de Cristiano Ronaldo e da sua mãe, dona Dolores Aveiro, não há ninguém em Portugal tão famoso quanto o 'Emplastro', o homem que há 30 anos nas televisões se cola ao ombro dos jornalistas durante os diretos ou que se mete atrás de políticos ou mesmo de jogadores de futebol que estão a ser entrevistados e faz caretas e diz 'olá'. O fascínio pela luz vermelha das câmaras de filmar fá-lo fazer piscinas de Norte a Sul para aparecer onde está a ocorrer um direto. Toda a gente o identifica como 'Emplastro', mas poucas são as pessoas que conhecem verdadeiramente as histórias caricatas e mirabolantes do mediático Fernando dos Santos, nascido há 55 anos num dia 25 de abril que ainda não era de liberdade.

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Fernando tem tantos nomes e alcunhas quanto um outro Fernando, o Pessoa, tinha de heterónimos literários. Sendo que este Fernando, nascido em Madalena, em Vila Nova de Gaia, tem a particularidade de só saber assinar o nome e de nunca ter concluído sequer a primeira classe, ao contrário do Fernando grande génio da poesia e maioral na literatura mundial. Fernando Jorge da Silva dos Santos nasceu no seio de uma família extremamente pobre, filho de Laura e de Alfredo, pai do qual tem poucas ou quase nenhumas memórias pois morreu quando ele ainda era uma criança. Terá memória de Joaquim, o padrasto, que vendia ferro velho. A mãe, Laura, perdeu-a em 2016.

Restam na vida de Fernando - o famoso 'Emplastro' cuja fama enquanto persona já ultrapassou fronteiras e se internacionalizou - os quatro irmãos, Manuel, Paulo, Luís e Fátima, que em casa o tratavam por 'Pintas', pela sua peculiar forma descontraída de viver a vida. Já grande parte dos vizinhos e conhecidos tratavam-no por 'Nando', mas foi entre os adeptos portistas, e em especial no seio da claque dos Super Dragões, que Fernando se tornou uma estrela a quem chamavam 'O Animal'. Não será preciso puxar muito pela imaginação para calcular a origem desta alcunha. Mas não se pense que os cognomes do famoso 'Emplastro' se ficam por aqui. Ele é ainda tratado por 'Palhinhas' pelos amigos de infância com quem brincava na rua, que o batizaram com a mesma alcunha pela qual era conhecida a mãe Laura.

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Emplastro Foto: Flash
emplastro Foto: Flash
emplastro Foto: Flash
Emplastro, Fernando Alves Foto: Foto: Cofina Media
emplastro Foto: Flash
Emplastro, Fernando Alves Foto: Foto: Cofina Media
Emplastro, Fernando Alves Foto: Foto: Cofina Media
Emplastro, Fernando Alves Foto: Foto: Cofina Media
Emplastro, Fernando Alves Foto: Foto: Cofina Media

DE SERRALHEIRO AOS 11 ANOS À MASCOTE 'O ANIMAL' DOS 'SUPER DRAGÕES'

A criança da Madalena não tinha jeitinho nenhum para a escola. Não era caso único porque os irmãos Manuel e Paulo também não aprendiam nada na escola e os três não concluiu a primeira classe oficial. Com claras deficiências cognitivas, a assistência social encaminhou-os os na altura já três órfãos para a CERCI Braga de Vila Nova de Gaia que funcionava no antigo palacete Marques Gomes, em Canidelo. Ali, Fernando aprendeu serralharia, Paulo tornou-se carpinteiro e Manuel estofador. Depois de completar dez anos, Fernando foi trabalhar para uma empresa de máquinas da indústria panificadora em Vilar do Paraíso. A mãe meteu a cunha porque conhecia os patrões, em casa de quem fazia limpezas.

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Fernando ganhava o seu ordenado, mas nem por isso deixou de pedir esmola todos os dias ao final da tarde na Igreja dos Congregados, na Praça de Almeida Garrett, Porto, mesmo ao lado da Estação de São Bento. Entregava todo o dinheiro que conseguia arrecadar à sua avó. Sem dinheiro, mas sendo sócio em simultâneo do FC Porto e do Boavista, encontrava sempre maneira de ir aos estádios apoiar as equipas. Deu nas vistas pelo seu fervor futebolístico e a claque dos Super Dragões acolheu-o, quase como mascote, e foi aí que sentiu amado e acarinhado e ganhou a sua alcunha original entre os adeptos portistas: 'O Animal'.

Ao mesmo no tempo trabalhava na panificadora, mas, com o passar do tempo e o agravamento das suas limitações, acabou por deixar o emprego na fábrica e receber uma pensão por invalidez. Tinha trabalhado 15 anos e aos 26 eram um homem livre para começar uma vida de fama e aventuras, que nunca programou ou imaginou. Começou a dedicar-se a tempo inteiro a perseguir as carrinhas de reportagem, a colar-se aos écrans, conquistando a fama de ser oficialmente o maior "Emplastro" nacional, a figura que hoje o País inteiro conhece e reconhece na televisão.

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A MISTERIOSA VIAGEM AOS AÇORES "VER AS VACAS", PORQUE LHE APETECEU

Ao longo dos últimos quase 30 anos de atividade como 'Emplastro' televisivo, Fernando foi acumulando histórias inacreditáveis que faz dele um mito, para alguns um valente cromo e para outros um verdadeiro herói. Destaca-se a aventura misteriosa que o levou à ilha de São Miguel, nos Açores, e que faz parte do seu extenso currículo pessoal histórias. A fuga sem aviso aconteceu depois de ter aparecido nos habituais diretos das televisões na Passagem de Ano na Avenida dos Aliados, no coração do Porto. Na altura tinha adotado um banco no aeroporto Sá Carneiro como sua cama e, de forma espontânea, decidiu meter-se num avião sozinho no Aeroporto Sá Carneiro rumo a São Miguel e nem os próprios irmãos sabiam para onde ele tinha ido. Confrontados com o seu desaparecimento repentino, Manuel e Paulo apenas diziam que o 'Pintas' haveria "de voltar um dia destes". E quando voltou o mistério foi desvendado. Com a sua ironia própria en sempre a sorrir, na altura ainda sem dentição, respondeu às pessoas que lhe tinha apetecido "ir ver as vacas".

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Fernando e os seus irmãos Manuel e Paulo possuem uma pequena casa nas traseiras da Igreja da Madalena, herdada dos pais, mas o 'Pintas' para a família raramente lá aparece, prefere um banco do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde dorme com uma almofada feita de bolas de papel higiénico dentro de um saco de plástico. Dele dizem que é meigo, tranquilo e que costuma ajudar as empregadas a arrumar os tabuleiros. Manuel e Paulo almoçam e jantam na casa do irmão mais novo Luís, que trabalha por conta própria na construção civil e mora num apartamento não muito longe. Luís é o tutor dos três irmãos, mas não consegue ter qualquer controlo sobre Fernando. Manuel faz umas horas numa roulote de bifanas em Valadares e Paulo é o verdadeiro biscateiro, sempre pronto a fazer recados ou pequenos serviços que vão aparecendo. Da irmã Fátima pouco ou nada se sabe.

Mas a longa lista de histórias caricatas do 'Emplastro' não se queda por aqui e há também aquela em que um dia tentou salvar um passarinho, achava ele que em dificuldades, no alto de um poste de alta tensão junto à estação das Devesas, em Gaia. Ficou gravemente ferido - ainda hoje tem as marcas de uma queimadura na zona lombar. Assim que saiu dos cuidados intensivos, a primeira coisa que perguntou foi: "Como está o passarinho?". Apesar de não saber ler nem escrever, sabe de cor a sequência de todas as estações do Metro do Porto, onde, curiosamente, foi bastantes vezes multado por não ter bilhete. Entretanto já resolveu o problema: tirou o passe Andante Metropolitano, que, para ele, por ser reformado e com apoios sociais, fica a 20 euros por mês.

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LOUCO POR PUDINS, O MITO URBANO, A PLACA OFERECIDA POR HERMAN E A FAMA MUNDIAL

Fumador inveterado, de Marlboros, sempre que pode, sustenta o vício com o rendimento das selfies que lhe pedem e a quem de volta pede sempre um euro. Adora doces, é absolutamente louco por pudins, mas não rejeita qualquer outro tipo de sobremesa docinha. Existem vários relatos populares e histórias urbanas (especialmente partilhadas por estudantes das cantinas da Universidade de Coimbra ou da Universidade do Porto) de pessoas que garantem ter visto o 'Emplastro' com cinco ou seis tigelas de pudim empilhadas de uma só vez na bandeja, a devorá-los com enorme entusiasmo. Mas lá está, assim como não há uma fotografia nítida do 'Big Foot', também não há registos do 'Emplastro' a devorar pudins e por isso a história fica no campo do mito urbano.

Treinador e emplastro durante a chegada ao aeroporto Foto: Foto: Luís Manuel Neves
O antigo presidente do Sporting à saída do tribunal. Emplastro Foto: Foto: Pedro Ferreira
Treinador e emplastro durante a chegada ao aeroporto Foto: Foto: Luís Manuel Neves
O jogador sorridente na partida com malas e bagagens junto Foto: Foto: Nuno Fonseca
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa à chegada ao funeral Foto: Foto: Pedro Ferreira
O treinador de futebol à chegada ao aeroporto de Lisboa, Foto: Foto: Pedro Simões
Chegada do ex ministro e arguido - emplastro Foto: Foto: Pedro Catarino
Emplastro Foto: Foto: Sérgio Lemos
O empresário à saída rodeado de jornalistas. Cara. Arguido. Emplastro Foto: Foto: Luís Manuel Neves
O "emplastro" em Fátima a contar as moedas que conseguiu Foto: Foto: Duarte Roriz
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Claro que com o tempo, o tabaco, as guloseimas e, quem sabe, alguma falta de higiene oral, os dentes do 'Emplastro' começaram a cair e as suas aparições na televisão deram nota disso. Tanto que um benfeitor famoso decidiu oferecer-lhe uma dentadura nova. À medida que a fama do 'Emplastro' crescia nas reportagens de rua, os canais de televisão começaram a convidá-lo para os estúdios e programas de entretenimento. Uma das aparições mais marcantes aconteceu no famoso 'talk show' 'Herman SIC', apresentado por Herman José. O humorista, comovido com as condições e limitações de Fernando dos Santos, e aproveitando o tom bem-humorado do programa, fez um apelo aos dentistas de Portugal e decidiu oferecer-lhe em direto o tratamento e a prótese dentária (a famosa placa). Fernando ficou tão orgulhoso dos seus novos dentes que começou a exibi-los garbosamente nos mesmos diretos onde se pendurava e nas selfies que tirava por um euro na rua. De forma caricata e vendo o efeito das gargalhadas que isso provocava, começou a tirar a placa da boca à frente das pessoas para as surpreender antes de tirar a fotografia.

Fernando queria ser famoso e conseguiu. Hoje sustenta-se com a sua fama, e chegou a ser estrela de um dos programas mais vistos do canal MTV norte-americano, o 'Ridiculousness'. A aparição do 'Emplastro na MTV foi o seu maior momento de internacionalização e teve impacto e destaque na América. Os editores do canal escolheram um direto hilariante da SIC Notícias conduzido pelo jornalista Miguel Guerreiro em que o repórter, farto de ter Fernando a colar-se à imagem, decidiu brincar e no final do direto passou-lhe o microfone para a mão e colocou-se atrás dele para assumir o papel de "emplastro" do próprio. O clip foi exibido na secção "Scene Killers" e no estúdio tanto o apresentador Rob Dyrdek, quanto o convidado especial do episódio, o cantor australiano Cody Simpson, desataram às gargalhadas com a reação natural e impagável de espanto de Fernando enquanto segurava o microfone da SIC.

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