O reduto mais privado de António José Seguro, Tozé para os amigos, que faz vinho e azeite na sua quinta na Beira interior
Ligado às origens, começou a fazer vinho para dar seguimento ao sonho do pai e é entre as vinhas que encontra a sua paz interior. Entre a tradição e a proximidade da família e a modernidade, espera encontrar um compromisso, caso seja eleito Presidente da República, mantendo a sua residência nas Caldas e sem uma primeira-dama a tempo inteiro.Há muito que António José Seguro deixou a sua terra natal, Penamacor, no distrito de Castelo Branco, para se estabelecer nas Caldas da Rainha, mas o apelo de casa está sempre presente e há muitas coisas que o trazem de volta ao município onde cresceu, entre os amigos e as futeboladas - jogava a ponta de lança. Uma delas, bastante inusitada. Foi quando estava no seu interregno político - que durou mais de dez anos - que o atual candidato à presidência da República decidiu investir em Penamacor, precisamente como forma de homenagear o pai, Domingos Seguro, “que plantou a primeira vinha há mais de 40 anos no seu prédio da Serra Pedreira, em Penamacor".
Agora de forma mais profissional, o político, de 63 anos, comprou uma quinta na Beira Interior e plantou três diferentes castas para produzir o seu próprio vinho, Serra P, que lançaria sem alarido e à margem da sua exposição mediática. "Comecei a fazer vinho como homenagem ao meu pai, e como o vinho era bom pensei: tenho aqui uma área de negócios. então, comprei uma quinta, replantei", disse, em conversa com Luísa Jeremias e Mónica Peixoto na CM Rádio, que mostrou o lado B dos candidatos.
É uma das facetas que pouco conhecem do homem que, discreto, se mantém mais à margem do que dos holofotes e está agora longe do jovem que, à descoberta de Lisboa, se divertia nos locais mais badalados da capital como o Frágil ou o Xafarix. Seria, aliás, na noite que conheceria aquela que viria a ser a sua mulher e mãe dos filhos, com quem cruzou olhares ao subir para cima de uma coluna para dançar numa discoteca, numa história que gosta de recordar como um amor à primeira vista, que deu frutos.
"A minha mulher é muito bonita, por dentro e por fora. Apaixonámo-nos à primeira vista e passadas umas semanas estávamos a namorar. Somos diferentes, mas completamo-nos bem. É especial para mim.”
O casamento aconteceu a 1 de setembro de 2001, em Santa Maria, Óbidos, com o casal a ser pai orgulhoso de dois filhos, Maria e António, com a família a estabelecer-se nas Caldas da Rainha, um ponto seguro para o clã que, ainda que tudo possa mudar caso o político seja o novo Presidente da República, pretende manter uma estabilidade alavancada na casa de família, que funcionará como o reduto mais privado de António José Seguro. “Casa, casa será sempre a casa de família, nas Caldas, mas isso não invalida que possa ter de pernoitar no Palácio”, fez saber ao ‘Expresso’ o candidato, que obteve 31,11% dos votos na primeira volta.
Até porque a mulher, Margarida, não se revê propriamente no cargo de primeira-dama, apesar de não o excluir.
“A Margarida tem a interpretação de que não há o cargo de primeira-dama em Portugal. Continuará a fazer a sua vida profissional e estará presente quando a exigência de Estado o justifique”, diz, revelando assim que Margarida se irá manter à frente da gestão das farmácias das quais é proprietária.
Entre as origens e a modernidade
António José Seguro admite que gosta de aliar a tradição à modernidade, o que, afirma, irá equilibrar caso seja o novo Presidente da República. Nisso, Margarida terá também um papel a dizer e promete marcar presença, por exemplo, em compromissos como jantares de receção a outros chefes de Estado, onde em cima da mesa estará o melhor que o nosso País tem para oferecer, com base na sustentabilidade. Já sobre a música a ser ouvida, por exemplo, numa ocasião como essa, afirma não ter preconceitos, sendo que recentemente até confidenciou, num evento recente com jovens do ensino secundário, que Slow J era um dos seus artistas favoritos. “Não faço nenhuma discriminação, tenho uma visão pluralista do mundo, da sociedade e também da cultura, todos os que puderem ajudar a valorizar a língua portuguesa têm o seu espaço.”