Só se fala de Trubin! O bom gigante da Luz, que foi obrigado a fugir da guerra e poupou os primeiros ordenados para 'salvar' a mãe e a irmã
Com um golo de cabeça, muito para lá dos 90 minutos, guarda-redes do Benfica provocou explosão de alegria no Estádio de Luz e garantiu aos encarnados o o play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Nas últimas horas, o seu nome é tudo o que se fala, com o interesse em torno da sua história a disparar. E, na verdade, esta dava um livro!Foi um momento como há muito não se via na Luz. Ao minuto 90+8, o guarda-redes Anatoliy Trubin subiu à grande área do Real Madrid e marcaria, de cabeça, o golo que qualificaria o Benfica para o play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. O feito do bom gigante dos encarnados - mede 1,99m - levou a uma autêntica explosão no estádio e fez com que, nas últimas horas, só se falasse da outra tempestade, a que o ucraniano levou a cabo no relvado, com o interesse em torno do guardião dos encarnados a disparar.
E a verdade é que a história de Trubin, de 24 anos, prende qualquer um. Nascido na Ucrânia, na aldeia de Spartak, no Donbass, foi parar à baliza quase por acaso. Apesar de na altura já ser alto para a idade, não foi a sua estatura que o levou a tornar-se guarda-redes, mas sim o facto de ser gordinho e não estar na melhor forma. Quando a mãe o levou, pela mão, para o seu primeiro treino no Azovstal, o treinador olhou para ele e mandou-o para a baliza, sem saber que estava a tomar a melhor decisão.
Trubin começaria aí um percurso que o faria chegar a um dos principais clubes da Ucrânia, o Shakhtar Donetsk: o seu sonho de miúdo. Mas não lhe esperariam facilidades, pois a invasão russa, em 2014, colocaria toda a sua vida em suspenso. "Donetsk é a minha casa. Foi lá que dei os meus primeiros passos, que sonhei, estudei e errei. Nessa altura, eu e os meus amigos sonhávamos com a Liga dos Campeões, Bolas de Ouro e grandes clubes europeus. Ninguém pensava que algum dia o sonho seria apenas voltar àquele lugar e não saber o que é a guerra. Um dia esse sonho será realidade", já fez saber em entrevista.
A guerra obrigaria a grandes mudanças na vida de Trubin, com a academia do clube a passar para Kiev. O ucraniano era, assim, obrigado a dizer adeus a casa, com uma agravante: toda a sua família permaneceria na zona de conflito, com o craque a sofrer, sobretudo, pela mãe e a irmã. Desde cedo que assumiu responsabilidades maiores em casa. Após o nascimento da irmã, o pai decidiu começar uma nova família e a partir daí o contacto com a ex-mulher e os filhos passou a resumir-se ao obrigatório. Destroçado, o guarda-redes sentiu que tinha de ser o homem da casa e zelar pelos seus.
"Ele não tem a presença do pai na vida dele e por isso sempre foi o homem lá de casa. Foi obrigado a isso. Falávamos com ele quando tinha 17 anos e parecia que estávamos a falar com um homem. Havia jogadores mais velhos que não tinham aquela maturidade", confirmou ao MaisFutebol António Ferreira, que foi treinador do ucraniano.
Foi esse mesmo técnico que recordaria que, enquanto muitos jogadores gastam os primeiros ordenados em artigos luxuosos, a preocupação de Trubin foi conseguir poupar para trazer a família para Kiev, salvando assim a mãe e a irmã da guerra. "Recordo-me que só conseguiu levar a família quando assinou o primeiro contrato. Nessa altura começou a ganhar qualquer coisa e as preocupações foram apenas duas: comprar um carro, perfeitamente normal, e comprar um apartamento para trazer a mãe e a irmã para Kiev."
O ROMÂNTICO CASAMENTO EM SINTRA
Em Lisboa, Trubin conta com o apoio incondicional da mulher, Maryna Halahan, com quem se casou na véspera do Natal de 2024, numa cerimónia discreta em Sintra. Romântico, partilha com os fãs vários momentos importantes da vida com a modelo, como o pedido de casamento ou outras imagens mais pessoais, que revelam que também no amor encontrou o seu porto seguro, ao lado de quem celebra agora a grande conquista na Champions.