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'Sim, Chef!', Solar dos Nunes - episódio 8

Imagine um restaurante pequeno e acolhedor. Um em que o dono lhe diz ser a sala de refeições dos amigos. Dos seus. Dos da casa. Dos que se tornarão amigos após uma primeira visita. A decoração é tradicional. Lisboeta. Rústica e aconchegante. Onde nem faltam os azulejos azuis e brancos. A decoração só nos traz à lembrança um fado da grande Amália Rodrigues. A comida é de tacho e o dono fala-nos de "perfumes" e "aromas". Eles acontecem quando pelas mesas começam a ser distribuídas as entradas com fatias de presunto, queijos de azeitão, saladinhas de polvo e cogumelos temperados. Depois os pratos são de raiz alentejana. Cheios de temperos. Mas se quisermos um petisco do Norte ou do Centro do país também se cozinha. Afinal está-se entre amigos.
João Bénard Garcia
João Bénard Garcia
09 de setembro de 2021 às 22:13
No conforto do Solar dos Nunes, onde há uma sala especial para cada amigo
Solar dos Nunes
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O Solar dos Nunes, em Alcântara, Lisboa, é uma casa de emoções. E das fortes. Na entrada, em cima do balcão de vidro, uma placa de madeira e metal destaca-se, imortalizando uma frase sábia de José Nunes, o falecido pai do atual proprietário e mentor do restaurante, onde este afirma: "O Solar é a sala grande da minha casa". A filha Alexandra, nas redes sociais, relembra que esta era "a frase do nosso pai, que ele dizia com tanto orgulho e carinho. Tantas saudades!".

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Sim, Chef! Solar dos Nunes

Numa das várias salas do espaço acolhedor e intimista, José António Nunes, 58 anos, a nova alma do Solar, recorda saudoso a memória do pai. "É uma casa de família, de tradição alentejana". Não duvidamos, mas a decoração é bem lisboeta, a homenagear as casas que nas ancestrais serpenteantes azinhagas de acesso à capital alimentavam os viajantes que galgavam à cidade, ou que dela estavam de abalada e precisavam de sustança para a jornada.

A estrela planetária Madonna já comeu aqui. A fadista Ana Moura é uma amiga da casa. Tal como Jorge Jesus, Mariza ou Fernando Mendes. Nicolau Breyner foi um cliente fiel… A lista é tão grande que Zé Tó, como o dono adora ser chamado pelos clientes que considera como amigos, prefere nem ser ele a enunciá-la... não lhe vá falhar algum nome. Fazemos-lhe a vontade, mas não podemos deixar de olhar para as paredes das salas do restaurante, e nelas, além das notícias e menções honrosas conquistadas pela casa, podemos vislumbrar fotos e dedicatórias dos amigos. A maioria famosos da nossa praça.

A SALA DE JANTAR DOS AMIGOS

"Vêm aqui pessoas muito conhecidas da música, da televisão, do teatro, do futebol e da política. Gosto de toda a gente. Tenho um grande lote de amigos, muitos admiradores também do Solar dos Nunes. Tento que esta humilde casa seja a casa de jantar dos nossos amigos. Esse é o nosso projeto. Foi a linha que o meu pai nos deixou: Tratar bem hoje para amanhã ser melhor. Se hoje está bom, amanhã tem de estar ótimo", defende, emocionado, como princípio de vida e de negócio.

Quando entramos no Solar dos Nunes, sentimos no olfato uma explosão de aromas. Nas mesas preparadas para receber os comensais exalam os cheiros dos queijos, em sintonia com os dos enchidos e das ervas do campo. Nos outros pratos de entradas brota o mar dos polvos envinagrados e aromas de temperos de suculentos cogumelos. Todos bem encostadinhos às cestas de pão alentejano, fresco, em tostas bem finas ou com pinceladas de chouriço.

Olhamos o chão em calçada portuguesa, os lambrins de azulejos azuis e brancos, as traves negras de madeira nos tectos e os pratos decorativos nas paredes e só nos recordamos de ouvir Amália Rodrigues a cantar em verso "Numa casa portuguesa fica bem / Pão e vinho sobre a mesa / E se à porta humildemente bate alguém / Senta-se à mesa com a gente". E ainda no refrão do fado: "Quatro paredes caiadas / Um cheirinho alecrim / Um cacho de uvas doiradas / Duas rosas num jardim / Um São José de azulejos / Mais o sol de primavera / Uma promessa de beijos / Dois braços à minha espera".

CASA DE BRAÇOS E ABRAÇOS

Os dois braços são os do anfitrião Zé Tó, mas também as duas mãos certeiras da 'chef' Célia, a brasileira que se apaixonou pelos pratos da cozinha tradicional portuguesa e os confeciona com mestria na pequena cozinha da casa. E ainda o sorriso, a disponibilidade e a simpatia dos empregados que, às mesas, trazem pratos que honram o melhor da nossa gastronomia.

A cozinha de "panela e tacho" tem grande parte do seu "pedigree em Serpa". "O meu pai, apesar de ter nascido na Beira Alta, veio muito cedo para Lisboa. Aqui namorou a minha mãe e a cozinha que se impôs foi a tradicional alentejana. As receitas são assinadas pela minha querida mãe, essencialmente na parte da doçaria conventual. É uma casa que tem uma história muito engraçada. Há famílias com quatro gerações aqui sentadas à mesa. Isso são coisas que me deslumbram e dão força para continuar a andar para a frente", conta-nos, orgulhoso, Zé Tó, assumindo o peso da responsabilidade do testemunho que herdou e quer honrar.

Da doçaria às sopas alentejanas: as delícias do Solar dos Nunes
Solar dos Nunes
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UMA EMENTA DE CONFORTO

As emoções são fortes, mas os pratos são um maná dos deuses, em especial aqueles que na planície alentejana fazem milagres gastronómicos e encantam os forasteiros. "Faz parte da nossa bandeira a Sopa Rica de Peixe com Lavagante, a nossa Canja de Garoupa com Ameijoas, o nosso Segredo do Pirata - um prato de polvo com umas coisas muito boas que vos convido a virem experimentar, as nossas Cataplanas, a nossa Lebre Guisada com Feijão Branco, as nossas Empadas de Perdizes, o nosso Empadão de Perdiz, a nossa Sopa de Cação à Moda de Serpa e mais uns perfumes no ar que são muito engraçados", jura Zé Tó. Nós provámo-lo.

"Fazemos cozinha tradicional portuguesa, de conforto, com um perfume mais acentuado no Alentejo. Se for preciso também se fazem uns rojões à minhota, uma vitela à Lafões e pratos de outras regiões do país. Mas o nosso caráter é do campo alentejano", acrescenta, sempre com imenso entusiasmo e um sorriso no rosto, o herdeiro do legado do senhor José Nunes.

AI, AI, AS SOPAS RICAS 

Além das perfumosas entradas, experimentámos a Sopa Rica e a de Cação e pudemos confirmar que os temperos, com muito coentro à mistura, fazem toda a diferença no date com as papilas gustativas.

Zé Tó sugere-nos que provemos o Arroz Doce, a receita tradicional da mãe, jurando-nos que o segredo, além dos ingredientes frescos, está no fio de azeite que esta sempre lhe juntou. Fazemos-lhe a vontade, mas só depois de testarmos o Leite-Creme com açúcar queimado à nossa frente com um maçarico. Divinais. O Leite-Creme e o Arroz Doce. Zé Tó ainda nos fala da fama das Farófias e da Sericaia com Ameixas de Elvas do Solar dos Nunes, mas os nossos delicados estômagos já não conseguem encontrar um buraquinho para mais um docinho.

O QUE MOTIVA ZÉ TÓ?

O dono, que está na casa há 33 anos, desde a fundação, sempre ao lado dos pais, afirma que aquele espaço, que em breve vai crescer para o andar de cima e assim acolher mais do que os 70 clientes da lotação atual, garante que ali, naquele lugar "está a minha juventude e a minha velhice" e relata que o que move todos os dias: "Motiva-me saltar da cama procurar a melhor qualidade, os melhores pratos para os meus amigos e meus clientes e esse é o meu projeto pessoal enquanto Zé Tó Solar dos Nunes, a minha afirmação como pessoa e como homem. Dar o meu melhor e sentir que o cliente não é só para hoje é para o futuro".

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