A experiência completa que os turistas (não) queriam na tour ao Bairro do Vidigal
Quando se preparavam para ver o nascer do sol, junto a uma das principais favelas do Rio de Janeiro, duas centenas de turistas foram surpreendidos com um tiroteio. Descreveram a experiência como assustadora, mas os puxões de orelhas já se fazem ouvir entre os muitos que dizem 'eu bem avisei' e que 'quem brinca com o fogo, pode queimar-se'.O conceito de turismo foi-se alterando ao longo dos anos, novas rotas foram sendo criadas e nas cidades um pouco por todo o mundo, há um fenómeno que se foi tornando mais ou menos global. Os viajantes deixaram de querer ver só a parte polida do destino e querem imiscuir-se na cultura local, ver como se vive naquele contexto específico e, de alguma forma, ter uma espécie de ser um 'local', nem que seja por umas horas. Se em Portugal, em tempos idos, a socialite Cristina Espírito Santo descreveu a experiência de umas férias na Comporta - na altura frugal - como 'brincar aos pobrezinhos', quem viaja até ao Rio de Janeiro, requisita um guia e segue de moto até à favela, procurará algo que lhe permita misturar-se com aqueles para quem a vida no Bairro do Vidigal não é apenas mais uma fotografia publicada no Instagram com uma vista incrível, é a realidade de todos os dias.
Ora, estes passeios volta e meia redundam em cenários mais complicados, como o que aconteceu esta semana, na Trilha do Morro Dois Irmãos, que é procurada por turistas durante a madrugada para ver o nascer do sol, e situa-se acima do bairro do Vidigal. Para o grupo de 200 turistas que fazia o périplo, esta seria apenas uma experiência a partilhar no próximo jantar entre amigos, não tivessem ficado retidos no morro, depois de ter ocorrido um tiroteio, resultante de uma operação policial durante a manhã da última segunda-feira.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa brasileira, a Polícia Civil do Rio em conjunto com o Ministério Público da Bahia realizaram a operação para prender membros do Comando Vermelho que controlam o tráfico de drogas no sul da Bahia, levada a cabo com sucesso. No entanto, a operação resultou em momentos de tensão para os muitos turistas que se encontravam no local, que temeram o pior, com os guias a pedirem que se sentassem e mantivessem a calma.
"Foi assustadora a experiência. Sempre ouvimos dizer que era tranquilo e sempre quisemos fazer essa trilha. Fomos apanhados de surpresa quase com os tiros, eram muitos. Houve um helicóptero a sobrevoar muito perto. Não dava para ter uma noção real do que estava a acontecer", disse Stephanie Andrade, natural do Brasil, que decidiu fazer a experiência pela primeira vez.
Um relato que vai de encontro a uma série de vozes que agora surgem nas redes sociais a dizer: 'eu bem avisei', e a lembrar que quem quer viver uma experiência, por vezes tem de viver o pack completo e pensar que não é propriamente algo que dê para controlar, mas sim a vida real.