O fim de uma era no Intendente. Casa Independente vende peças históricas antes da despedida
Sofás, candeeiros, mesas e espelhos estão entre os objetos que vão deixar o espaço lisboeta antes do encerramento, marcado para dezembro. Ao fim de 14 anos, a despedida de um dos pontos de encontro da noite e da cultura da cidade já se faz sentir.Durante 14 anos, a Casa Independente, no Largo do Intendente, em Lisboa, foi ponto de encontro para quem procurava música, cultura e noites longe dos circuitos mais convencionais. Agora, com o encerramento marcado para dezembro, começa também a desaparecer o cenário que acompanhou milhares de momentos vividos entre aquelas paredes.
De forma a partilhar um pouco desta história por quem por lá passou, os responsáveis pelo espaço, Patrícia Craveiro Lopes e Inês Valdez, decidiram colocar à venda os móveis e objetos que foram reunindo ao longo dos anos. A iniciativa está a decorrer de forma faseada, permitindo que a Casa Independente continue a funcionar e a receber público até 19 de dezembro.
A oferta inclui sofás, cadeiras, mesas, espelhos, candeeiros, aparadores e outros elementos decorativos. Há peças a partir de três euros, enquanto um par de poltronas está disponível por 300 euros. O conjunto reflete a estética que marcou o espaço, com uma mistura de veludos, metais e referências ao design das décadas de 1960 e 1970.
Nas redes sociais, as responsáveis explicam que a intenção é dar uma nova vida aos objetos, que durante anos fizeram parte do quotidiano da casa. Muitos foram testemunhas de conversas demoradas, encontros inesperados e noites que se prolongaram pela madrugada. A partir de agora, poderão integrar outros ambientes e novas histórias.
Um espaço que acompanhou a transformação de Lisboa
A venda do recheio é mais um sinal de que a contagem decrescente para o fim da Casa Independente entrou numa nova etapa. O encerramento já tinha sido anunciado em setembro de 2025, depois de se tornar público que o edifício fora adquirido sem intenção de manter a atividade que ali funcionava.
A notícia representa o desaparecimento de um espaço que conquistou uma identidade própria na vida cultural lisboeta. Desde a abertura, a Casa Independente ajudou a afirmar o Intendente como uma zona de convívio e animação, num período em que o largo e a sua envolvente atravessavam mudanças significativas.
Entre a programação cultural, a música e o ambiente informal, o espaço tornou-se uma alternativa aos estabelecimentos mais convencionais e um ponto de passagem para diferentes públicos. A sua importância não se resumia ao que acontecia em palco, também estava na possibilidade de permanecer, conversar e ocupar a cidade de outra forma.
O seu desaparecimento levanta, assim, uma questão que vai além do destino de um único estabelecimento: o que acontece aos espaços que ajudam a construir a identidade de um bairro quando deixam de poder permanecer nos edifícios onde nasceram? No caso da Casa Independente, a mudança de propriedade acabou por ditar o fim de uma atividade que se prolongou por mais de uma década.
Até ao encerramento, ainda haverá tempo para visitar o espaço e participar na programação. Para quem quiser guardar uma recordação material da Casa Independente, o inventário dos objetos disponíveis e as condições de compra podem ser consultados através do link na biografia da sua página de Instagram.