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Weekend - Arte

O Manuel João Vieira que nem todos conhecem. Eterno candidato à Presidência inaugura exposição de arte no MAAT

Muitos só o conhecem pela sátira, humor ou pelas músicas que ficam para a história nos Irmãos Catita ou Ena Pa 2000. Mas por detrás disto tudo há um artista com mais de 40 anos de trabalho na pintura, escultura e desenho, em projetos que agora veem a luz do dia.
20 de maio de 2026 às 18:20
Manuel João Vieira inaugura exposição de arte no MAAT Foto: Flash

Manuel João Vieira nunca foi um artista fácil de arrumar em gavetas. Entre a música, a performance, a sátira política ou a pintura, impôs-se ao longo de décadas como uma das figuras mais imprevisíveis da cultura portuguesa. Agora, o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia devolve-o ao centro da pintura com 'A ilha púrpura: notas e paisagens', exposição inaugurada a 20 de maio e integrada nas celebrações dos dez anos do museu. "Não é um universo, é um 'pluriverso' com uma grande unidade. Tudo entra numa mesma lógica, figurativa, narrativa e dentro dela com elementos que identificamos muitas vezes: Bonecos da banda desenhada, deuses e deusas, faunos e figuras da literatura", explicou o comissário da exposição, João Pinharanda, na apresentação da mostra aos jornalistas.

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A chegada de Vieira ao MAAT acontece também num momento curioso da sua trajetória pública. Depois da mais recente candidatura presidencial, mais uma intervenção performativa do que propriamente política, o artista voltou a ocupar espaço mediático e a dividir opiniões. Para muitos, continua a ser apenas a personagem excêntrica, provocadora e caótica que atravessa programas de televisão, concertos e campanhas. Mas essa leitura deixa escapar uma dimensão essencial: por detrás do humor e da sátira existe um artista plástico profundamente consistente, com décadas de trabalho em pintura, desenho, escultura e instalação, que agora veem a luz do dia numa exposição marcante.

Manuel João Vieira Flash
Manuel João Vieira e Ena Pá 2000 regressam aos palcos em Almada Flash

 A sua obra move-se entre o erudito e o grotesco, entre a pintura histórica e a sátira nacional, entre o barroco e o cabaré. O texto curatorial do MAAT sublinha referências ao maneirismo, romantismo, simbolismo, surrealismo e à vaga do “regresso à pintura” dos anos 80 portugueses. 

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As obras apresentadas no MAAT surgem como grandes composições narrativas, habitadas por símbolos, figuras alegóricas e cenografias quase operáticas. Há nelas excesso, ironia, humor e melancolia, como se Vieira pintasse um retrato teatral do próprio país. 

O próprio MAAT vive um momento estratégico. Ao celebrar dez anos, o museu procura afirmar-se também como espaço de revisão da cultura portuguesa contemporânea, cruzando nomes internacionais com figuras decisivas da arte nacional. Nesse contexto, Manuel João Vieira surge quase inevitável: um artista que antecipou a lógica da performance permanente muito antes de as redes sociais transformarem identidade em espetáculo contínuo.

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