Agora é que ele estragou tudo? Harry quer reconciliar-se com a família, mas reacende polémica
O príncipe garante que quer fazer as pazes com o pai e o irmão, mas uma frase da sua primeira entrevista desde o regresso ao Reino Unido voltou a gerar controvérsia. Há quem questione se a prioridade de Harry é recuperar os laços familiares ou melhorar a imagem pública.Durante anos, o príncipe Harry expôs publicamente as feridas da família real britânica. Agora, diz querer deixar os conflitos para trás e reconstruir a relação com o rei Carlos III e o príncipe William. Mas, quando parecia estar a dar um passo nessa direção, acabou por reacender a polémica com uma declaração que não passou despercebida.
Numa entrevista à revista 'GQ', publicada esta terça-feira, 20 de outubro, o duque de Sussex falou sobre a relação difícil com o pai e o irmão mais velho. Questionado sobre se sente a perda desses laços familiares, Harry não hesitou: "Sim, claro". O príncipe reconheceu que os desentendimentos entre irmãos e os afastamentos entre pais e filhos são situações com as quais muitas pessoas se identificam.
Foi, porém, a frase seguinte que alimentou a discussão. "Algumas pessoas não querem que resulte. Eu quero que resulte", afirmou, antes de reforçar que, perante tudo o que se passa no mundo, "o mais importante é reconciliar". As palavras foram interpretadas por alguns como uma possível indireta a William e a outros membros da família real, como se Harry estivesse a sugerir que não são todos a querer resolver o conflito. A reação obrigou mesmo o seu porta-voz a esclarecer que a declaração "não foi, de forma alguma, uma crítica dirigida ao irmão ou a qualquer outro membro da família".
A polémica surge numa altura em que Harry tenta transmitir uma nova mensagem: a de que está disposto a virar a página. O problema é que a desconfiança não desaparece apenas porque o príncipe diz querer reconciliar-se. Desde que abandonou as funções oficiais da monarquia, em 2020, e se mudou para os Estados Unidos com Meghan Markle, o duque de Sussex falou repetidamente sobre os conflitos familiares, em entrevistas, numa série documental e no livro de memórias 'Na Sombra'. Revelações que agravaram a rutura com os Windsor e tornaram a vida privada da família num assunto de exposição pública.
É neste contexto que surgem as críticas à sua atual postura. Para alguns observadores e comentadores, a insistência na reconciliação também pode servir os interesses da imagem pública de Harry, permitindo-lhe apresentar-se como alguém que quer paz depois de anos de confrontos. A questão é inevitável: estará realmente preparado para reparar a relação com o pai e o irmão ou estará também a tentar recuperar a confiança do público? Não há provas que permitam afirmar que essa seja a sua intenção, mas o passado ajuda a explicar o ceticismo.
O regresso ao Reino Unido, no final de agosto, com Meghan e os dois filhos, Archie e Lilibet, aproximou a família da terra natal de Harry. O príncipe explicou que poder proporcionar às crianças uma experiência escolar britânica era importante para si e garantiu que ambas estão a gostar desta nova fase. Ainda assim, a mudança de país não resolveu, por si só, as tensões com os Windsor.
Na entrevista à 'GQ', Harry reconheceu que as marcas do passado não desaparecem facilmente. "As cicatrizes ficam para sempre", admitiu, defendendo, contudo, que é possível deixar para trás os conflitos. Resta saber se as palavras serão acompanhadas por passos concretos — e, sobretudo, se o pai e o irmão estarão disponíveis para fazer o mesmo.