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A dor que Cristiano Ronaldo não esquece: "Fiz pelo País"

O capitão da Seleção Nacional recorda um dos momentos mais duros da sua vida com a camisola das Quinas vestida. Uma memória particularmente marcante e que continua a fazer parte da história de vida e profissional de Cristiano Ronaldo.
Por Ana Cristina Esteveira | 07 de outubro de 2026 às 08:51
Cristiano Ronaldo, Luiz Filipe Scolari Foto: Foto: Medialivre
Cristiano Ronaldo pai Foto: Flash
Cristiano Ronaldo, José Dinis Aveiro Foto: Foto: Instagram
Cristiano Ronaldo Foto: Foto: JOHAN NILSSON
Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus Foto: Foto: José Sena Goulão / Lusa
Cristiano Ronaldo, Luiz Filipe Scolari Foto: Foto: D.R.

Cristiano Ronaldo decidiu quebrar o silêncio sobre o conflito com Jorge Jesus e explicar, na primeira pessoa, o que aconteceu durante o último estágio da Seleção Nacional. Numa longa carta aberta, o futebolista assume responsabilidades pela saída da concentração, pede desculpa aos companheiros e aos portugueses, mas também acusa o selecionador de ter faltado à palavra.

Foi no final da missiva, depois de falar sobre uma eventual despedida da Seleção, que Cristiano Ronaldo recuperou uma memória que continua a ter um peso especial na forma como encara a camisola das Quinas. O jogador rejeita a ideia de que esteja a pensar apenas num jogo de despedida e garante que, enquanto tiver condições para competir, quer continuar a fazê-lo por Portugal.

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"Quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai", escreveu. A dolorosa recordação remonta a 6 de setembro de 2005. Cristiano Ronaldo tinha apenas 20 anos e era jogador do Manchester United quando recebeu a notícia da morte do pai, José Dinis Aveiro, que morreu em Inglaterra na sequência de problemas hepáticos e renais. O futebolista encontrava-se concentrado com a Seleção Nacional em Moscovo, onde Portugal iria defrontar a Rússia na qualificação para o Mundial de 2006.

A notícia foi-lhe dada pelo então selecionador, Luiz Felipe Scolari. Ronaldo tinha a possibilidade de regressar imediatamente a Portugal, mas decidiu permanecer junto da equipa. No dia seguinte, entrou de início frente à Rússia e cumpriu os 90 minutos no empate sem golos. Depois da partida, viajou para a Madeira para acompanhar a família nas cerimónias fúnebres.

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É precisamente essa decisão que Cristiano Ronaldo recupera agora, mais de duas décadas depois, para explicar o significado que atribui à Seleção."Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo País o que jamais faria por clube algum" escreveu.

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A referência surge depois de o futebolista assumir que a sua saída do estágio, após o jogo com a Noruega, foi um erro. Na carta, Cristiano Ronaldo explica que se sentiu traído por uma quebra de confiança na relação com Jorge Jesus e descreve as conversas que manteve com o selecionador antes e depois do encontro. O jogador garante ainda que nunca tentou interferir nas decisões técnicas ou táticas dos treinadores da Seleção e considera que a sua saída da concentração deve ter consequências. "Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante", escreveu, acrescentando que aceita ser punido pela Federação Portuguesa de Futebol.

Apesar da polémica, Cristiano Ronaldo deixa uma garantia: pretende continuar disponível para representar Portugal. "Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção."

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