O mundo do futebol e o País foram surpreendidos com mais uma partida inesperada, cedo demais. Silvino, o eterno guarda-redes do Benfica – representou ainda o Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Desportivo das Aves, FC Porto, Salgueiros e seleção nacional, ao longo de uma carreira de duas décadas – e antigo adjunto de José Mourinho, com quem trabalhou durante 18 anos, morreu, aos 67 anos de idade, depois de uma silenciosa batalha contra uma doença prolongada, levando a consternação aos adeptos do desporto-rei.
Mais do que um atleta de elite, Silvino foi uma figura estimada e respeitada entre colegas e adversários, dentro e fora dos relvados. Foi após pendurar as luvas que se tornou na "sombra" de Mourinho, como seu adjunto e leal amigo, com a carreira a ganhar uma nova dimensão. Acompanhou o 'Special One' em passagens históricas por clubes como o FC Porto, Chelsea, Inter de Milão e Real Madrid, onde se afirmou como um dos mais respeitados treinadores de guarda-redes.
A carreira de Silvino foi marcada por momentos de grande emoção que irão permanecer na memória dos adeptos. O jornal 'Record' destaca alguns desses pontos altos, como as duas finais da Taça dos Campeões Europeus, onde Silvino foi protagonista destacado. Em 1988, em Estugarda, foi o herói de uma campanha quase perfeita, tendo sofrido apenas um golo em toda a prova – em Bruxelas, frente ao Anderlecht –, antes de chegar ao jogo decisivo contra o PSV, onde o título fugiu ao Benfica na cruel marcação de grandes penalidades. Já em 1990, na final de Viena frente ao temível AC Milan, Silvino voltou a brilhar com a camisola dos encarnados, apenas vencido por um golo solitário de Frank Rijkaard.
Para além das 'defesas impossíveis', Silvino Louro será recordado igualmente pela lealdade e companheirismo para com os mais próximos.