Pinto da Costa traído pelo amigo de sempre
Antero Henrique afirmou, em tribunal, que desconhecia serviços de segurança privada e que só contactava Eduardo Silva, o dono da SPDE, a mando de Pinto da Costa.
A amizade de 27 anos entre Antero Henrique e Jorge Nuno Pinto da Costa chegou ao fim. Em tribunal, o homem de confiança do líder portista, que abandonou a SAD em setembro de 2016, entregou o presidente.
Em depoimento, no tribunal improvisado no quartel dos bombeiros, em Guimarães, Antero Henrique afirmou que só entrava em contacto com Eduardo Silva, o alegado segurança de Pinto da Costa e dono da SPDE, a pedido do presidente dos dragões.
Antero Henrique negou ser ele a fazer qualquer negócio com a SPDE e clama inocência dos 6 crimes de segurança ilegal privada que lhe são atribuídos.
ZANGADO COM FILHO DE PINTO DA COSTA
O antigo dirigente da SAD portista, que saiu incompatibilizado com Alexandre Pinto da Costa, foi apanhado nas escutas policiais. Numa delas para um serviço, alegadamente, de segurança privada, falou com Jorge Sousa, outro dos arguidos do caso Fénix. "O senhor presidente precisa de três homens para estar amanhã, às 3 da tarde, na rua da Cedofeita. A casa da mãe foi assaltada. O presidente vai lá estar mas não quer ir sozinho, não vá estar alguém lá dentro".
Em tribunal, este caso ficou por esclarecer. Antero Henrique também não clarificou por que é que Eduardo Silva, e outros seguranças, transportavam Fernanda Miranda, ex-mulher de Pinto da Costa. "Foi um favor", respondeu ao juiz, encolhendo os ombros.
NOITES DE VIOLÊNCIA
Para o Ministério Público existem "fortes indícios" de que Antero Henrique, apesar de negar qualquer envolvimento, seja o sócio oculto da SPDE. Noutra escuta, Edu ligou a Antero: "O mais certo é ter de fechar as portas", disse-lhe o alegado guarda-costas de Pinto da Costa, referindo-se à SPDE e às diversas coimas que a empresa teria, por situações de violência na noite portista.
A investigação sustenta, ainda, que a SPDE "serve para encapuçar as actividades criminosas desenvolvidas e que ele próprio (Antero Henrique) está ligado a algumas das actividades criminosas, num patamar que será superior e de gestão.
Carolina Salgado, outra das ex-mulheres de Pinto da Costa, e que foi peça-chave no processo Apito Dourado, denunciando diversas situações como o célebre "cesto de fruta" (prostitutas) oferecido a um árbitro, remete-se agora ao silêncio. "Não vou falar de nada dessa fase da minha vida", afiança ao site FLASH!.