Conheça o polémico cunhado do ministro Leitão Amaro, suspeito de ter lucrado com os incêndios
A Polícia Judiciária realizou buscas em casa Ricardo Leitão Machado, investigado por corrupção
A Polícia Judiciária desencadeou, nas primeiras horas na manhã desta quinta-feira,14,, uma operação de buscas relacionada com suspeitas de crimes de corrupção, entre outros, em concursos de aluguer de helicópteros para o combate aos fogos rurais. Este processo já teve, em março de 2025, uma primeira acção buscas, ficando conhecido por 'Operação Torre de Controlo'.
De acordo com informações recolhidas pelo NOW, desta vez, o principal alvo destas novas buscas é Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. A casa do empresário, no Restelo, em Lisboa, está a ser alvo de buscas, assim como empresas e pessoas a si ligadas
Ricardo Leitão Machado é dono da empresa Gesticopter, que ganhou concursos para o aluguer de helicópteros. Apesar de tal ter acontecido antes da entrada formal do empresário no capital da empresa, através da compra de outra sociedade que a detinha, a Gestifly, a Judiciária suspeita que o mesmo, há muito, a controlava. Por sua vez, o irmão de António Leitão Amaro era diretor de operações da Gesticopter.
Em março de 2025, num comunicado, a Polícia Judiciária referiu que, nesta investigação, estão em causa “crimes corrupção ativa e passiva, burla qualificada, abuso de poder, tráfico de influência, associação criminosa e de fraude fiscal qualificada, através de uma complexa relação, estabelecida pelo menos desde 2022, entre várias sociedades comerciais, sediadas em Portugal, e que têm vindo a controlar a participação nos concursos públicos no âmbito do combate aos incêndios rurais em Portugal, no valor de cerca de 100 milhões de euros”.
“Estes concursos públicos incidem na aquisição de serviços de operação, manutenção e gestão da aeronavegabilidade dos meios aéreos próprios do Estado, dedicados exclusivamente ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), com a intenção de que o Estado português fique com carência de meios aéreos e, dessa forma, se sujeite aos subsequentes preços mais elevados destas sociedades comerciais”, acrescentou a Judiciária.
Ricardo Filomeno Duarte Leitão Machado é casado com a irmã do ministro da Presidência. O homem, que em criança quis ser padre e arquiteto, fez uma imensa fortuna - avaliada em 450 milhões de euros - em Angola. Em dezembro de 2025, o jornal 'Expresso' dava conta que o empresário "com interesses diversificados" é "dono da maior parcela de terreno privado e murado do país, a Herdade do Vale Feitoso", uma antiga propriedade da família Espírito Santo, junto a Penha Garcia, no concelho de Idanha-a-Nova. Além desta herdade, comprada através de uma sociedade espanhola, e da Gesticopter, Ricardo Leitão Machado tem investido no imobiliário, turismo e agricultura.
Já segundo a revista Sábado, do seu passado do empresário parte uma acusação por burla qualificada e falsificação de documentos, em maio de 2014. O caso acabaria encerrado com o pagamento de 300 mil euros ao BPI pela burla e de mais 10 mil euros de multa pelo crime de falsificação. Foi na pendência deste processo que Ricardo Machado rumou a Angola, iniciando a sua atividade no negócio dos créditos de carbono.