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Mais uma vez nas galas do Big Brother. Recebi uma mensagem de uma amiga, que me perguntava se estava a ver a gala. Achou curiosa a relação do Bruno com os pais. Interrompi o episódio da série que estava a assistir, mudei de canal e voltei atrás, e vi duas vezes. Lamentável! Perdeu-se uma excelente oportunidade de ajudar centenas de pessoas em Portugal. O pai do Bruno bem tentava, repetindo várias vezes, que depois do choque no momento tem tentado falar abertamente com o filho. Mas este sempre fugia, mesmo quando o pai tentava por telefone. E a emoção de um pai que se sente impotente perante o muro intransponível que o filho lhe impõe percebia-se no seu rosto. Os apresentadores, empenhados que estavam em corrigir e orientar aquele pai, nem conseguiam ouvir o que ele lhes dizia. O pai repetia que tentava falar com o filho, mas que este não aceitava. E os apresentadores insistiam que ele tinha de respeitar, que não era uma escolha do filho. Lamentável perder esta oportunidade. Há quase uma década que digo e escrevo que hoje a homofobia está mais dentro da cabeça de quem está homo-orientado do que em quem os rodeia. A narrativa de vítima, o discurso de agressões que imaginam ser-lhes exclusivo, empurra muitos homossexuais para guetos de sofrimento e de afastamento social e afetivo que me corta o coração. Já estamos longe do tempo, como aquele em que eu vivi a minha juventude, quando os amigos partiam para outros países depois de escutarem os pais dizerem que aos paneleiros se enfia um peixe pelo c* e se puxa com força para sentirem as espinhas. O tempo em que ao sair da discoteca à noite, no Príncipe Real, havia sempre o risco de a Polícia levar alguém para a esquadra e bater, sem qualquer consequência para os agentes. Mas o mundo mudou. A homofobia ficou retida na cabeça de alguns homossexuais, numa narrativa que os afasta das próprias famílias. Aquele pai quis dizer que desejava conseguir falar com o filho. Era preciso ter dito àquele filho que tivesse coragem e falasse com o pai. Àqueles filho e pai, e às muitas centenas de pais e filhos que estavam a assistir. Mas perdeu-se a oportunidade. Que pena.
Os apresentadores, empenhados que estavam em corrigir e orientar aquele pai, nem conseguiam ouvir o que ele lhes dizia. O pai repetia que tentava falar com o filho, mas que este não aceitava. E os apresentadores insistiam que ele tinha de respeitar, que não era uma escolha do filho. Lamentável perder esta oportunidade. Há quase uma década que digo e escrevo que hoje a homofobia está mais dentro da cabeça de quem está homo-orientado do que em quem os rodeia. A narrativa de vítima, o discurso de agressões que imaginam ser-lhes exclusivo, empurra muitos homossexuais para guetos de sofrimento e de afastamento social e afetivo que me corta o coração. Já estamos longe do tempo, como aquele em que eu vivi a minha juventude, quando os amigos partiam para outros países depois de escutarem os pais dizerem que aos paneleiros se enfia um peixe pelo c* e se puxa com força para sentirem as espinhas. O tempo em que ao sair da discoteca à noite, no Príncipe Real, havia sempre o risco de a Polícia levar alguém para a esquadra e bater, sem qualquer consequência para os agentes.