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Sporting despede o "Rui (Borges) de Mirandela" e paga milhões ao mister, que é doido por relógios Casio e diz que a mulher é "meiguinha"

Conseguiu recordes e vitórias pelo Sporting e tentou colar os cacos de uma equipa órfã, depois da saída do emblemático Ruben Amorim. Foi despojado de bons jogadores e pediram-lhe milagres. Só que lhe faltava pedigree de treinador internacional para calar a elite do clube de Alvalade e foi elo mais fraco.
Por João Bénard Garcia | 02 de novembro de 2026 às 20:37
O treinador durante a conferência de imprensa Foto: Luís Manuel Neves

A saída abrupta de Rui Borges, de 45 anos, do Sporting Clube de Portugal (SCP) é uma das notícias que está a fazer correr muita tinta com muitos a falarem de uma "traição" do clube em relação ao treinador, especialmente depois de ter sido tornado público que o presidente, Frederico Varandas, estava há três semanas à procura de um substituto e que a solução Paulo Fonseca não aconteceu depois da pouco convincente vitória deste última jornada frente ao Casa Pia por dois golos a zero.

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O clube de Alvalade arrancou a temporada com o pé esquerdo, está em terceiro lugar na tabela e, como as exibições não convencem, a massa associativa, nada como afastar o treinador e calar o descontentamento. No futebol ocorre o fenómeno de rapidamente os bons resultados serem esquecidos num piscar de olhos, ou seja Borges conseguiu fazer a dobradinha do título conquistado na era de Ruben Amorim, foi de novo campeão nacional e ainda conquistou a Taça de Portugal pelo Sporting em 2024/25, arrematando os dois principais troféus de uma época. Na temporada 2025/26 conseguiu levar o Sporting aos quartos de final da Liga dos Campeões, a melhor campanha europeia da história do clube nessa competição, mas nem esses feitos foram suficientes para o segurar à frente da equipa técnica dos verdes e brancos.

Recorde-se, e não foi assim há tanto tempo, que Rui Borges foi inicialmente contratado pelo Sporting para suceder a João Pereira, que tinha substituído Ruben Amorim após a saída deste para o Manchester United. Um ano depois de estar à frente da equipa principal, Rui Borges começa a perder jogadores que eram peças fundamentais na equipa e como é sabido que sem ovos não se fazem omeletes a vida do treinador complicou-se. Em 2025 saíram os avançados Viktor Gyökeres (a maior perda do clube), Conrad Harder, Marcus Edwards e Afonso Moreira, o médio Dário Essugo e os guarda-redes Franco Israel, Vladan Kovacevic e Diogo Pinto. Um ano depois, no verão de 2026, foi a debandada de Francisco Trincão, Geovany Quenda, Morten Hjulmand e Ousmane Diomande.

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O treinador orienta os treinos Foto: Foto: Paulo Calado
Rui Borges Foto: Flash
O treinador durante a conferência de imprensa Foto: Foto: Luís Manuel Neves
Viktor Gyokeres; Rui Borges Foto: Flash
Rui Borges e a mulher, Ana Luísa Foto: Foto: D.R.
Rui Borges Foto: Foto: Getty Images
rui borges Foto: Flash
O treinador Foto: Foto: Duarte Roriz
O treinador fala e gesticula durante a conferência de imprensa Foto: Foto: Duarte Roriz

A SAÍDA SEM GLÓRIA

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Atacado desde que chegou ao Sporting por uma ala mais elitista e crítica à sua contratação, Rui Borges cedo começou a reagir às investidas de quem o queria ver sair porta fora. Numa entrevista ao 'Alta Definição', na SIC, em 2025, o mister deixou recados a quem o via de forma depreciativa como sendo "O Rui de Mirandela", cidade em cujo clube terminou a carreira como médio e onde começou a dar cartas como treinador no ano seguinte, tendo depois subido a pulso até às agremiações do topo da tabela da 1.ª Liga, passando pelo Académico de Viseu, Académica, Nacional, até chegar em 2023 ao Vitória de Guimarães, onde deu nas vistas com uma campanha europeia muito interessante na Liga Conferência, chamando a atenção do Sporting.

Depois da saída de um líder carismático como Ruben Amorim, que decide internacionalizar-se e vai por sua vontade para a competitiva Liga Inglesa, era difícil estancar as feridas de um balneário que atravessava um período de instabilidade e desmotivação. A contratação de Rui Borges não foi propriamente uma aposta num treinador famoso internacionalmente. Foi uma aposta num técnico português que estava a crescer e que já tinha demonstrado capacidade para organizar equipas e potenciar jogadores. O seu contrato inicial terminava em 2026, mas o presidente Frederico Varandas e a sua direção na SAD, empolgados pela onda de vitórias, decidem em maio de 2026 prolongar o vínculo do mister até 2028, o que agora lhes poderá custar qualquer coisa como 3,5 a 5 milhões de euros de indemnização por rescisão antecipada de contrato.

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rui borges Foto: Flash

No último fim de semana, tudo se precipitou para saída 'express' de Rui Borges. No domingo, dia 1, sai um comunicado do Sporting a anunciar que tinha reunido com o treinador, acrescentava que tinham sido iniciadas conversações para a cessação do contrato, que o adjunto Tiago Fernandes assumiria imediatamente o comando técnico interino e que Borges já não acompanharia a equipa na deslocação a Londres para defrontar o Shakhtar Donetsk, na Liga dos Campeões no dia 3 de novembro. No dia seguinte, o mister foi até à Academia de Alcochete para se despedir pessoalmente dos jogadores, isto enquanto toda a imprensa desportiva dava conta de que ainda estavam a ser discutidos os termos da rescisão do contrato.

FILHO INSULTADO POR CAUSA DO PAI, MULHER EM NERVOS

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Ora, os últimos tempos do reinado de Rui Borges à frente da equipa técnica do futebol do Sporting já estavam a trazer mais dissabores do que prazeres ao treinador. Um dos episódios que mais desagradou o técnico nem teve a ver consigo diretamente, mas com um familiar seu. O filho, Mário Borges, que tem 25 anos e joga no Montalegre, foi alvo de insultos relacionados com o facto de ser filho de Rui Borges. Numa partida contra o Ponte da Barca, que terminou 0-1, Mário Borges não escapou da raiva dos adeptos por a equipa ter perdido e acabou mesmo substituído aos 79 minutos por não estar a aguentar em campo a pressão dos insultos. O treinador do Montalegre, José Manuel Viage, percebeu que os insultos o estavam a afetar e decidiu substituí-lo para o proteger daquela situação. Viage explicou que o jogador estava perturbado com aquilo que ouvia.

Mário Borges Foto: D.R.
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Na conferência de imprensa de 29 de outubro de 2026, antes da partida contra o Casa Pia em Rio Maior, Rui Borges mostrou-se bastante magoado. "O meu filho joga futebol e foi enxovalhado no último jogo por ser filho de quem é, e isso não admito. É grave". Borges pai acrescentou que as críticas dirigidas a si próprio não o afetavam particularmente, mas que sofria quando estas atingiam a mulher, o filho, os pais e as irmãs.

Mais discreta, Ana Luísa, a mulher por quem na adolescência se apaixonou e com que foi pai de Mário quando tinha 19 anos, não consta que tenha sido alvo de insultos ou ataques, apesar de o próprio marido ter tornado público que a companheira de 25 anos de casamento é uma ferrenha adepta de futebol. Isso mesmo ficou claro na entrevista que o agora despedido treinador do Sporting deu ao 'Alta Definição' e em que disse que Ana Luísa "vive intensamente os jogos" e que, por vezes, precisa de lhe "dar uns safanões para a acalmar na bancada", porque reage muito emocionalmente ao jogo dentro das quatro linhas.

Rui Borges e a mulher, Ana Luísa Foto: D.R.
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Apesar da mulher do treinador ser um furacão que explode de emoção clubística, Rui borges fala dela como sendo "tranquila e meiga" em casa. Rui e Ana conheceram-se na escola, quando ainda eram muito jovens, casaram-se há 25 anos quando descobriram que iam ser pais de Mário e Ana Luísa acompanhou Rui Borges durante todos os anos em que este construiu a sua carreira no futebol. Rui fala dela com muito carinho e confidencia mesmo que se apaixonou pela sua "beleza, tranquilidade e meiguice", e agradeceu-lhe na SIC por tudo o que fez por ele, em especial pelos períodos em que a carreira o obrigava a estar longe da família.

SACRIFÍCIOS PELA FAMÍLIA E A LOUCURA PELOS CASIO

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E é precisamente a família quem mais toca no coração de Rui Borges, que a considera o seu maior apoio, tendo já reconhecido inclusive que Ana Luísa teve um papel fundamental nos sacrifícios necessários para chegar e permanecer no Sporting. Recordamos agora na hora despedida que o ex mister do Sporting é um homem muito ligado à família, às suas origens transmontanas e ao futebol desde criança. Foi graças à sua base em casa que o "Rui de Mirandela" conseguiu ser campeão recordista pelo Sporting em apenas 19 jornadas, tentando que as horas de almoço em família, ou só com a mulher, fossem sagradas, o que quase sempre conseguiu.

Rui Borges Foto: Flash

Mas não só. Em todos os momentos família e futebol estiveram intimamente interligados na vida de Rui. O pai, Manuel Borges, também foi jogador de futebol e por isso cresceu a acompanhá-lo, herdando dele a grande paixão pela modalidade. Já a mãe, Cândida, preocupava-se com os estudos e exigia-lhe boas notas para poder continuar a jogar futebol. Rui foi um aluno razoável, mas a sua paixão era a bola. Foi pai muito novo, com 19 anos, e confessou publicamente que se arrepende de ter perdido tantos momentos da infância do filho, que considera como o maior amor da sua vida, devido aos compromissos do futebol.

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Terá então tudo sido rosas na carreira desportiva do "Rui de Mirandela"? Apesar de ter sido futebolista profissional, Rui Borges reconheceu publicamente que não foi um grande jogador. Passou por clubes como Paredes, Sporting de Braga B, Trofense, Famalicão e Freamunde e em todos eles houve uma característica comum: É que Rui é fanático por relógios da marca Casio e nos clubes pequenos, onde jogou na juventude, não havia placares electrónicos para acompanhar os tempos. Era o seu relógio Casio que ditava o arranque e o fim dos jogos, as pausas e os minutos de descontos.

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