"Vou direito ao farol e acabo com isto": A cronologia de uma morte trágica, anunciada por Maycon Douglas
Numa fase de maior angústia, Maycon já tinha ameaçado pôr termo à vida, precisamente no local onde acabaria por cometer suicídio. Face às evidências, a mãe terá tido consciência de que o jovem seria mesmo capaz de o fazer e ainda pediu ajuda, mas já era tarde demais.Os dias passam, desde a morte de Maycon Douglas, mas para aqueles que ficam as perguntas repetem-se e só algumas começam a ter resposta. A reconstituição da trágica madrugada de 31 de dezembro, em que o jovem, de 25 anos, pôs termo à vida, as perícias e autópsia trouxeram esclarecimentos importantes ao caso, bem como os testemunhos das últimas pessoas que estiveram com o ex-concorrente da 'Casa dos Segredos', nomeadamente a mãe e a namorada, Raquel Coelho.
Para entendermos o que aconteceu temos de recuar a uma noite que seria de diversão, num bar da Nazaré. Maycon e a companheira divertiam-se, mas já perto das primeiras horas da manhã, pelas 05h00, o ambiente entre os dois azedou, e tudo por causa de uma cena de ciúmes. "Houve uma discussão feia por causa de uma cena de ciúmes. A namorada achou que o Maycon estava a meter-se com outra rapariga", conta uma fonte, acrescentando que, depois disso, os dois abandonam o espaço e dirigem-se em carros diferentes até à casa de Maycon, onde este vivia com a mãe, e à porta do qual a discussão subiu de tom.
"A mãe veio à porta e disse-lhes para terem juízo e pararem, mas de alguma maneira tomou o partido da Raquel. Ele vai a casa, faz uma mochila com algumas peças de roupa e disse que se ia embora, que era naquele dia que acabava com tudo."
A ameaça podia não ser levada a sério, uma vez que não era a primeira vez que a fazia. "Já tinha dito várias vezes: 'vou direito ao farol e acabo com tudo'. Mas naquele dia, a mãe sentiu que aquilo era sério", diz a fonte, acrescentando que Maycon estava "fora de si".
Do momento em que o MC arranca da porta de casa até ao trágico desfecho, já ninguém pode detalhar concretamente o que aconteceu, mas há algumas pistas que ajudam a que se perceba o caso, nomeadamente a câmara junto ao Forte São Miguel Arcanjo e que capta o momento em que as luzes de um carro chegam às imediações, pelas 05h28. Desde esse momento até à decisão de atirar com o carro para o mar passaram-se pelo menos 12 minutos, durante os quais Maycon fez três telefonemas: para a namorada - que não atendeu, tendo bloqueado o seu número - para uma amiga desta e, por fim, para a mãe, em tom de despedida. Foi nessa altura que a mãe do jovem entrou em desespero, tendo ligado para a polícia a pedir ajuda. No entanto, já nada havia a fazer. O filho aceleraria em breve prego a fundo em direção ao mar da Nazaré.
Quando foi descoberto pelos mergulhadores, o Nissan ainda tinha a primeira mudança engatada, sinal de que no momento do suicídio não terá havido hesitações. No entanto, quando os resultados da autópsia saíram, houve um detalhe que pode indiciar um arrependimento momentâneo, com a presença de areia no estômago a poder indiciar que, a dado momento, o jovem pode ter-se tentado debater para se salvar, mas a água gélida e o mar revolto da Narazé podem não o ter permitido. Ainda assim, e na ausência de testemunhas, esta é uma questão que nunca se esclarecerá na íntegra, sendo que o que falta saber são os resultados dos exames toxicológicos, que podem dizer se Maycon estava sob influência de álcool ou drogas, que pudessem ter potenciado estes seus pensamentos suicidas. No entanto, nada poderá trazer o MC de volta, pelo que os que ficam têm agora de começar a enfrentar a dor de viver sem o sorriso do jovem.