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A verdade de Mastiksoul: “A minha ex acusou-me de violência psicológica por lhe comprar roupas da Zara”

Um ano depois de ter sido condenado por violência doméstica e de interpor recurso, o músico Fernando Figueira foi agora absolvido de todas as acusações. Mastiksoul, como é conhecido nas lides da música, fala à The Mag, depois de largos meses remetido ao silêncio "por causa dos três filhos", da acusação "ridícula" e da falta de provas. Revela as pressões, os falsos testemunhos, as intenções escondidas e as ameaças que sofreu.
Miguel Azevedo
Miguel Azevedo
24 de novembro de 2022 às 22:46
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Mastiksoul Foto: Cofina Media
Em Julho de 2021, Fernando Figueira, o músico e produtor por detrás de Mastiksoul, foi condenado por violência doméstica, pelo tribunal de Torres Vedras, a dois anos e três meses de prisão, com pena suspensa por igual período. Ficou ainda proibido de se aproximar da ex-companheira, obrigado a frequentar um curso de reabilitação para agressores, a pagar os custos judiciais do processo e ainda a uma idemnização no valor de 2.500 euros à vitima. 
 
O artista de 45 anos, que chegou a fazer uma música com Mariza, em 2017, 'Livre', a servir de hino à luta pelos direitos das mulheres, viu de repente a sua vida virar-se de pernas para o ar com uma condenação inesperada. Empenhado em limpar o seu nome, interpôs recurso e foi absolvido já este ano, primeiro pelo tribunal da Relação e depois pelo Supremo. "Entristece-me ter sido envolvido em algo que não tem nada a ver comigo", diz o artista que viu terminar, da pior maneira, a relação de cinco anos com Marlene Carvalhosa, da qual nasceu um filho. Corre agora um processo por difamação de Mastiksoul à ex-companheira.  

DJ Mastiksoul livre de acusação de violência doméstica
Mastiksoul
Mastiksoul
Mastiksoul
Mastiksoul
Mastiksoul
Mastiksoul
Mastiksoul
Mastiksoul
 
Sempre disse que só falaria da acusação de violência doméstica, quando o processo estivesse concluído. Agora que foi absolvido, está aliviado?
Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Neste momento estou com um misto de sentimentos muito grande. Aquilo que me fizeram não se faz. Foi algo de muito feito e muito maligno que envolveu um grupo de pessoas que se juntaram com o único propósito de me prejudicarem a mim e tirarem-me os meus filhos. Pela lei, um pai que é condenado a violência doméstica perde o direito aos filhos e foi isso que tentaram fazer comigo. Por isso, neste momento estou feliz por ter sido absolvido, mas por outro lado sinto-me triste porque nunca pensei que a pessoa com quem eu tive uma relação e um filho me pudesse fazer uma coisa destas. Não imaginei que as coisas pudessem chegar onde chegaram. 

"Neste momento estou com um misto de sentimentos muito grande. Aquilo que me fizeram não se faz. Foi algo de muito feito e muito maligno que envolveu um grupo de pessoas que se juntaram com o único propósito de me prejudicarem a mim e tirarem-me os meus filhos"
 
O Fernando foi absolvido no recurso que interpôs, que na Relação, quer no Supremo. Porque é que acha que foi condenado na primeira instância?
Porque as coisas não foram bem geridas pelo advogado que me defendeu inicialmente. A condenação nem sequer surpreendeu a advogada que arranjei depois e que me disse logo que a pessoa que tinha tratado do caso não o soube fazer. Por exemplo, quando comecei a apresentar as minhas provas de defesa já tinha passado o prazo. Eu nem queria acreditar. O mais engraçado é que, na primeira instância, o próprio Ministério Publico, em pleno tribunal, disse que não havia provas contra mim e já na decisão final voltou a ser reafirmado que não havia crime. 

A ACUSAÇÃO
 
Mas afinal que acusações é que pendiam sobre si?
A minha ex-mulher acusava-me de violência psicológica. 
 
Mas não chegou a ser acusado de violência física?
Não. Nunca houve acusação de violência física. Foi ela própria quem o disse. 
 
Mas isso chegou a ser falado em tribunal!
Pois chegou, porque apareceram pessoas que mentiram no seu testemunho. Curiosamente, são pessoas que nunca estiveram presentes na ninha relação com a minha ex-mulher e que não podiam dizer o que quer que fosse. Não sabiam de nada. A verdade é que acabaram a contradizerem-se umas às outras.

 
E o que é que elas disseram?
Uma das testemunhas disse em tribunal que me viu bater na minha ex-mulher, quando a própria já tinha afirmado que isso nunca tinha acontecido. Foi um teatro de tal forma que eu não queria acreditar. Outra testemunha, que entretanto, é hoje o atual companheiro da minha ex-mulher, deu um testemunho tão falso e mentiroso, que a juíza desclassificou o testemunho dele. Se o tivesse considerado teria que lhe abrir um processo por mentir em tribunal. E só isto já dá uma ideia da gravidade da situação. 
 
Então voltemos à violência psicológica. A sua ex-mulher acusava-o concretamente de quê? Consegue ser mais especifico? Consegue dar exemplos?
Sim, claro. Vou dar um exemplo que foi falado em tribunal. Ela disse que o facto de eu lhe comprar roupas na Zara era violência psicológica porque a deixava infeliz. E eu até chamei a atenção da drª juíza que ela estava com uma mala da Louis Vuitton, que por acaso até tinha sido eu a oferecer-lhe. Isto foi rídiculo. Então um homem está obrigado a comprar roupas de marca para a mulher se não pode ser acusado de violência doméstica? Ninguém tem noção do que eu vivi. O próprio Ministério Publico, em pleno tribunal, chegou a dizer-lhe para ela pensar bem no que estava a fazer e  a lembrar-lhe que eu era pai do filho. Isto está gravado, está nos autos. 

"Ela disse que o facto de eu lhe comprar roupas na Zara era violência psicológica porque a deixava infeliz. E eu até chamei a atenção da drª juíza que ela estava com uma mala da Louis Vuitton, que por acaso até tinha sido eu a oferecer-lhe. Isto foi rídiculo."
 
Que intenção acha então que esteve por detrás de todo este processo e destas acusações?
Ora, essa é que é a pergunta. Eu acho que tudo isto começou com a intenção de me tirar os meus filhos. Vim a saber mais tarde, que muitas mães, para ganharem processos parentais, metem processos de violência doméstica aos pais. 

A RELAÇÃO
 
Durante quanto tempo é que esteve nesta relação?
Estivemos juntos durante cinco anos numa relação atribulada. Numa das vezes em que voltámos ela contou-me que estava grávida. Eu até lhe disse que se ela quisesse eu casava com ela até para salvaguardar os interesses da criança. Estava disposto a dar inicio a uma nova fase da nossa vida. A menino nasceu, mas passado um ano ela disse-me que não sentia mais nada por mim e que queria ir-se embora. Mas disse-me logo que, para sair de casa, eu teria de lhe pagar. 
 
E pagou-lhe?
Sim. Dei-lhe três mil euros e ela até assinou um papel. Depois estivemos algum tempo praticamente sem nos contactarmos. Falávamos apenas o essencial relativo ao menino, até que chegou uma altura em que ela começou a exigir-me mais de mil euros por mês, por causa da criança. Como eu não conseguia quantificar aquele valor e nem sequer tinha possibilidade de o pagar, disse que queria ir para tribunal, até para que as coisas ficassem escritas. Desencadeou-se aí um processo de guarda parental repartida entre os dois e foi então, já depois disso, que surgiu o processo, que muito me admirou, de violência doméstica. Confesso que ao inicio nem fiz caso, porque achei que aquilo não tinha qualquer fundamento.      

"Numa das vezes em que voltámos ela contou-me que estava grávida. Eu até lhe disse que se ela quisesse eu casava com ela"
 
A sua ex-companheira é desta área da música ou dos espetáculos?
Ela trabalhou na minha empresa durante um bom tempo, mas houve algumas coisas que não correram muito bem. Aliás, neste momento há um processo a decorrer em tribunal, do qual ela é arguida, por causa de alguns bens que desapareceram da empresa. Para além disso também já levantei um processo contra ela por difamação, contra ela e contra o seu atual companheiro.
 
Porquê contra o atual companheiro? 
Porque de cada vez que ia buscar o meu filho a casa da minha ex-mulher, ele abria-me a porta e ameaçava-me de pancada. Neste momento tenho uma queixa crime contra ele. A cada quinze dias, que ia buscar o meu filho, ele ameaçava-me. Aliás, esse senhor tem vários processos de outra natureza, um dos quais em que já foi condenado por burla dolosa. 

A carregar o vídeo ...
Os dois atores protagonizaram um videoclip que atingiu cerca de um milhão e meio de visualizações.
E que testemunhas é que o Fernando levou a tribunal para sua defesa? 
Uma delas foi a pessoa que me apresentou à minha ex-mulher e que me disse, desde o primeiro momento, que ela estava comigo por dinheiro e que se ia aproveitar de mim até ao fim. Claro que eu não acreditei nisso.   
 
Na tal condenação na primeira instância chegou a estar proibido de se aproximar da sua ex-mulher e do seu filho. Apesar do recurso anular esta obrigatoriedade, manteve contacto com ela?
Até isso foi curioso. Mesmo depois dessa condenação, a minha ex-mulher continuou a enviar-me e-mails, mensagens e a bater-me à porta. As pessoas que acompanharam isto, diziam-me que ela era a vítima mais estranha que existe. E eu pergunto agora: que raio de vítima procura o seu agressor? Ela é um péssimo exemplo para as verdadeiras vitimas de violência doméstica. 
 
E o que é que ela dizia nesses e-mails e mensagens?
Perguntava-me se eu precisava de alguma coisa para o menino, como se fôssemos os melhores amigos. Parecia que não percebia que depois de tudo, não podíamos sequer ter uma relação de amizade. Um dia, enviei-lhe um e-mail para lhe pedir que parasse de me contactar e ela pegou nesse e-mail e foi fazer queixa de mim por violência psicológica. Tive de ir prestar depoimento e tudo.   

No meio de tudo isto, como é que os seus filhos lidaram com esta situação, especialmente, aquele  que tem em comum com a sua ex-mulher?
Eu tenho um filho mais velho que vive em Londres, que tem 23 anos, tenho um filho com 10, e depois um de cinco. Tudo isto foi muito difícil para eles. Choraram muito por causa daquilo que leram na imprensa e por pensarem que eu ia preso. Por isso é que eu acho que a minha ex-mulher nunca pensou no filho. Ela não teve esse cuidado. Os meus filhos vão ficar marcados para a vida.   
 
E os seus pais?
A minha mãe nunca gostou dela e por isso, quando isto começou, disse-me que não estava surpreendida. Ela sempre achou que as intenções dela para comigo não eram verdadeiras. Recordo-me de uma frase da minha mãe: "Prepara-te que isto é só o começo. Esta mulher vai fazer-te muito mal". 

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Mastiksoul Foto: Cofina Media
E como é que está neste momento a situação em relação ao filho que têm em comum?
Neste momento estamos com guarda partilhada. 

"O afastamento foi quase total. Até estava a fazer um projeto com um artista internacional e de repente disse que já não estava interessado. Tive muitos trabalhos negados e muita gente que me virou as costas. "
 
Apesar de ter sido agora absolvido, não teme que este caso lhe fique colado à pele, quase como um estigma? 
Eu espero que toda a comunicação social tenha a dignidade de falar da minha absolvição como falaram da minha condenação. Peço isto pelos meus filhos, porque um dia vão crescer e ler estas noticias na internet. Isto foi uma enorme cabala contra mim para me estragarem a vida. 
 
Sentiu que durante este processo, teve pessoas que se afastaram de si?
Sim. O afastamento foi quase total. Até estava a fazer um projeto com um artista internacional e de repente disse que já não estava interessado. Tive muitos trabalhos negados e muita gente que me virou as costas.  
 
Nunca sentiu necessidade de procurar ajuda?
Durante um tempo recorri a uma psicóloga que muito me ajudou, mas depois agarrei-me aos meus filhos e à música. Mas muito sinceramente, acho que quem precisa de ajuda é a minha ex-companheira. E espera que o faça, para bem dela e do nosso filho.

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