Foram cunhados, mas nunca foram amigos: as guerras entre Charles Spencer e o rei Carlos que Diana deixou para trás
Durante anos, estiveram ligados pela mesma família, mas a relação entre os dois homens esteve longe de ser pacífica. Desde a morte de Diana, em 1997, que os dois protagonizam episódios de tensão e trocas de acusações que agora voltam a ganhar força com o novo livro do irmão da princesa.Quando Diana morreu, a 31 de agosto de 1997, Charles Spencer deixou de ser apenas o irmão da princesa. Tornou-se também uma das figuras centrais na discussão sobre a forma como a família deveria lidar com a morte e com o funeral. Diana e o então príncipe Carlos já estavam divorciados desde agosto de 1996, depois de 15 anos de casamento, mas continuavam ligados pelos dois filhos, os príncipes William e Harry.
O conde Spencer ficou particularmente incomodado com a possibilidade de os dois sobrinhos, então com 15 e 12 anos, caminharem atrás do caixão da mãe. No seu novo livro, 'O Canto do Cisne: Diana, a minha irmã' [Swan Song: Diana, My Sister], garante que se opôs desde o início à ideia, por considerar que seria demasiado pesado para duas crianças.Foi aí que, segundo o relato de Charles Spencer, aconteceu um dos confrontos mais duros entre os dois.
Carlos terá telefonado ao cunhado para questionar a sua oposição. Charles Spencer conta que respondeu que Diana nunca teria querido sujeitar os filhos àquele momento. A conversa terá rapidamente subido de tom, com Carlos a defender a importância do dever e da tradição. Segundo o irmão de Lady Di, foi durante essa discussão que Carlos terá dito: “Fique descansado, vamos esquecê-la bem depressa.” A frase é uma das revelações mais polémicas do livro e é apresentada por Spencer como uma memória pessoal daquele período.
Mas há um detalhe que torna esta história ainda mais complexa: William e Harry acabaram mesmo por integrar o cortejo fúnebre. Anos mais tarde, em 'Diana, 7 Days', documentário da BBC transmitido em 2017, William descreveu essa decisão como uma escolha coletiva da família. O funeral de Diana trouxe outro momento particularmente marcante. Charles Spencer foi o responsável pelo elogio fúnebre na Abadia de Westminster e aproveitou a ocasião para falar não apenas da irmã, mas também dos dois filhos dela.
Prometeu que a família Spencer faria tudo para que William e Harry não ficassem simplesmente “imersos no dever e na tradição”. A frase foi entendida como uma crítica à forma como Diana teria vivido dentro da família real e acabou por ser um dos momentos mais comentados da cerimónia. O 'Independent' descreve aquele discurso como um primeiro grande confronto público entre Spencer e o universo dos Windsor.
A partir daí, a relação entre os dois homens nunca recuperaria a proximidade que existira durante os anos em que eram cunhados. Charles Spencer e o rei Carlos III seguiram caminhos diferentes. O filho mais velho da rainha Isabel II voltou a construir a sua vida ao lado de Camilla Parker-Bowles, com quem casou em 2005, enquanto o irmão da malograda princesa manteve uma relação próxima com a memória da irmã e, em particular, com o legado de Diana.
Numa entrevista à revista 'People', publicada em setembro de 2026, foi-lhe perguntado diretamente sobre a relação que mantém atualmente com o rei Carlos III. A resposta foi inequívoca: vê-o apenas como “um ex-cunhado” e diz que praticamente não têm contacto. Charles Spencer explicou que, depois de um divórcio na família, é natural que pessoas que estiveram próximas durante o casamento acabem por se afastar. Acrescentou que já se cruzou com Carlos III em casamentos de família, mas que o rei “simplesmente não faz parte” da sua vida.
É precisamente essa distância que torna o novo livro tão significativo. Quase três décadas depois da morte de Diana, Spencer decidiu regressar aos acontecimentos que marcaram aqueles dias e apresentar a sua versão dos acontecimentos.