A nova vida da infanta Cristina após condenação do marido
Absolvida no caso Nóos, a infanta Cristina regressou à sua vida normal em Genebra, onde está "exilada". Uma das fundações a que preside irá mudar-se para Lisboa e a irmã de Felipe poderá vir viver para Portugal. Para já, continua a lutar por uma vida normal, longe da família real espanhola.
O Tribunal de Palma condenou Iñaki Urdagarín – cunhado do rei de Espanha, Felipe VI – a 6 anos e 3 meses de prisão e ao pagamento de uma multa de 512.553,68 euros por prevaricação, fraude, tráfico de influências e delito contra a Fazenda Pública espanhola, no mediático caso Nóos.
O mesmo tribunal absolveu a infanta Cristina, mulher de Iñaki e irmã do rei Felipe, de dois crimes fiscais relacionados com o mesmo caso. Mais, o Tribuanl ordenou a devolução à infanta, pela Fazenda Pública, de mais de 770 mil euros de depósitos que foram penhorados durante o processo.
Uma sentença que a filha de Juan Carlos recebeu com "alguma amargura". Segundo o advogado Miguel Roca, a infanta Cristina "está satisfeita com o reconhecimento da sua inocência, mas desgostosa com a condenação do marido, que considera injusta, porque sempre acreditou na inocência de Iñaki".
O FASTAMENTO DA FAMÍLIA
Após a sentença, já durante esta semana, a filha mais nova de Juan Carlos e Sofia, voltou à sua vida normal, a sair de casa manhã cedo – 07h25 – a saudar a imprensa, que continua instalada à porta de casa da infanta, com um sorriso no rosto. Para trás ficam 7 anos de tormento para Cristina, para a família e para a monarquia espanhola. Um tormento que começou em 2010 com a investigação do caso Nóos.
Um tempo difícil que obrigou o rei Felipe a retirar o ducado de Palma à irmã, que sempre recusou renunciar à condição de infanta de Espanha assim como aos direitos dinásticos enquanto sexta herdeira na linha de sucessão ao trono espanhol.
A viver em Genebra, Suíça, a infanta parece resignada ao exílio e em aceitar que a vida não voltará a ter o glamour nem a alegria de outros tempos. As reverências e os corredores do palácio fazem já parte de uma vida anterior. Recorde-se que uma parte da família e muitos dos amigos fecharam as portas ao casal quando o escândalo rebentou. Feridas que irão demorar a sarar.
A MUDANÇA PARA LISBOA
Infanta Cristina dedica-se agora aos seus dois trabalhos: na Fundação La Caixa e na Fundação Aga Khan, cuja sede estará a ser transferida para Lisboa. Com a mudança de instalações, é igualmente comentado nos meandros da realeza espanhola, que Cristina prepara-se para mudar de residência para Portugal, onde o avô e o pai viveram um exílio dourado durante o regime de Franco, na costa do Estoril.
Segundo as mesmas fontes junto do palácio, Cristina continuará com o trabalho nas fundações, salvo se receber melhores propostas. "E há muita gente com vontade de ajudar a infanta", garantem.