Depois de Pink ser alvo de gigantesca onda de indignação, Ed Sheeran vê-se abandonado por todos após despedimento de rapper que defendeu a Palestina
A enorme polémica relacionada com o discurso de Macklemore pela paz na faixa de Gaza continua a dar que falar. Entenda tudo o que se está a passar.Continua ao rubro a polémica que envolve o rapper Macklemore, o músico Ed Sheeran e a cantora Pink.
Tudo começou a 4 de setembro, no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, quando Macklemore, que fazia a primeira parte do concerto de Ed Sheeran, fez um discurso a apelar à paz na faixa de Gaza.
"Uma grande parte da razão pela qual quis fazer esta digressão, desde o início, foi para poder subir a palcos em estádios como este e dizer duas palavras que são muito, muito importantes para mim: Palestina livre!", afirmou o rapper.
As suas palavras desencadearam uma forte reação de grupos antissemitismo e pró-Israel, que lançaram uma petição para que Macklemore fosse retirado da digressão, afirmando que “os fãs judeus compraram bilhetes para ver Ed Sheeran cantar, não para serem surpreendidos pela propaganda anti-Israel de Macklemore”.
Na noite seguinte, Macklemore voltou ao mesmo palco e dirigiu-se diretamente aos seus “irmãos e irmãs judeus” presentes na plateia. “Criticar Israel, criticar o apartheid, ser contra o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vocês”, afirmou, acrescentando que queria apenas que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não tinham sido esquecidas.
Foi então que a cantora Pink – que não tinha qualquer ligação a este espectáculo ou digressão – republicou a crítica a Macklemore, demonstrando assim o seu apoio a Israel. Desde então, a cantora foi alvo de uma gigantesca onda de indignação sem precedentes na sua carreira e resolveu entretanto responder com um extenso texto onde diz que é judia e que estava "só a defender as suas pessoas", uma vez que as palavras de Macklemore "foram muito assustadoras" e que "receou" pela segurança dos judeus presentes no concerto.
Mas a história não ficou por aqui. Dias depois, chegou a confirmação de que Macklemore tinha sido retirado da digressão de Ed Sheeran. Segundo a promotora Messina Touring Group, vários proprietários de recintos, como o empresário judeu Robert Kraft, tinham recusado receber os concertos caso o rapper continuasse no alinhamento.
Após uma semana de silêncio, Ed Sheeran falou finalmente, esta terça-feira. O músico britânico explicou que quem despediu Macklemore – de quem era amigo, segundo o rapper – foi a promotora e não ele e que "prefere não utilizar a sua plataforma profissional para fazer declarações políticas", embora já tenha demonstrado várias vezes o seu apoio à Ucrânia durante os seus concertos.
As críticas não se fizeram esperar. "Se és neutro em tempos de injustiça, estás a escolher o lado do opressor" ou "Recusar-se a tomar partido numa limpeza étnica é tomar partido" são apenas alguns dos milhares de comentários que se podem ler.
E, agora, os outros artistas que iam abrir para Sheeran acabam de anunciar que abandonaram a sua digressão.
Finneas, irmão e colaborador de Billie Eilish, anunciou que deixaria os concertos, numa manifestação de solidariedade com Macklemore e de oposição ao silenciamento de artistas.
Também Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda Beoga – a própria banda de Ed Sheeran – anunciaram a saída.