Disseram-lhe que tinha um tumor terminal e ia morrer: 11 anos depois, descobre que nunca teve cancro
Becky Jones tinha apenas 21 anos quando recebeu a notícia de que sofria de um tumor cerebral terminal. O que se seguiu foram anos de tratamentos agressivos e efeitos devastadores.Disseram-lhe que ia morrer. Durante 11 anos, Becky Jones fez quimioterapia para combater um cancro que afinal nunca teve. Aos 21 anos, ouviu que sofria de um tumor cerebral em fase terminal e que poderia ter apenas alguns meses de vida. A partir desse momento, passou a viver sob o peso de um diagnóstico que viria a revelar-se errado.
O oncologista Ian Brown, do Hospital Universitário de Coventry, prescreveu-lhe temozolomida, um medicamento utilizado no tratamento de determinados tumores cerebrais malignos. Becky garante que lhe disseram que teria de o tomar para o resto da vida e que, sem quimioterapia, morreria.
Os efeitos do tratamento foram devastadores. “Eram náuseas constantes, dores de estômago, úlceras na boca, cansaço diário… foi horrível”, descreveu. Ainda assim, havia uma dúvida que nunca desapareceu. Os exames que realizava não pareciam mostrar sinais claros de um tumor. Becky questionou o especialista, mas recebeu como resposta que a doença não seria “visível a olho nu”.
A quimioterapia acabou por ser interrompida em 2024, depois de o médico responsável pelo caso se reformar. Foi durante uma revisão dos casos acompanhados pelo especialista que surgiu a suspeita de que algo estava profundamente errado. Os advogados de Becky pediram uma avaliação independente a neurocirurgiões e radiologistas. Em 2025, chegou a confirmação que mudou tudo: não havia cancro.
Becky sofria, afinal, de desmielinização tumefativa, uma condição inflamatória do cérebro que é normalmente acompanhada por neurologistas e tratada com esteróides. A história faz agora parte de uma ação judicial movida por mais de 40 doentes contra o University Hospitals Coventry and Warwickshire NHS Trust. Estão em causa alegados tratamentos oncológicos prolongados ou desnecessários.
Uma análise do Royal College of Physicians a 20 casos considerou 15 “insatisfatórios no seu conjunto”. Entre os problemas identificados estavam “curiosidade clínica insuficiente” e falta de colaboração com outros profissionais.
“Não se trata apenas do que ele fez, trata-se de como o deixaram agir por conta própria durante tanto tempo”, afirmou Becky à BBC referindo-se ao clínico e ao hospital. “É quase como se ele estivesse a comandar o seu próprio espetáculo e ninguém estivesse lá para monitorizar o que ele estava a fazer.”