Fecham-se todas as portas legais! A poucas horas de assistir à morte da filha, pai de Noelia Castillo Ramos sofre duro revés: tribunais recusam petição para travar eutanásia agendada para as 18 horas de Madrid
"Não entendo porque me quer viva se não me liga, se não me vem ver, se não me escreve?" diz a jovem sobre o pai que tanto tem batalhado para que ela mude de ideias quanto à sua própria morte.O tempo escasseia... e faltam muito poucas horas para que Noelia Castillo Ramos se submeta ao procedimento da morte medicamente assistida, a conhecida eutanásia. Ainda assim, o seu pai continuou a tentar impedir que tal acontecesse. Só que a esperança em reter a filha - que alega não ter condições psicológicas para decidir sobre este passo tão radical - é cada vez menor.
Ainda esta quinta-feira, 26 - dia que a jovem escolheu morrer - este homem que há ano e meio trava uma dura luta nos tribunais recebeu o mais duro dos revés: os tribunais rejeitaram o seu pedido para para suspender a eutanásia da filha e submetê-la a tratamento psiquiátrico.
Nesta recusa, a juíza salienta que não tem autoridade para tomar as medidas solicitadas pelo pai de Noelia. E mais: interromper suicídio assistido da jovem afetaria os seus direitos fundamentais e "poderia deixá-la indefesa". Quanto à capacidade de Noelia de tomar sua própria decisão, a sentença observa que essa questão já foi resolvida "tanto administrativa quanto judicialmente, portanto, a necessidade de tratamento psicológico e/ou psiquiátrico não se justifica".
Os laudos médicos confirmaram que a jovem tem capacidade para tomar decisões "livre e autonomamente", apesar de sofrer de transtorno de personalidade borderline. Sabe-se, através da própria Noelia, que o pai se recusou a assistir ao momento em que ela deixará de viver. Também a mãe não estará presente. Por vontade da filha.
Também não irá ao seu funeral. Disse a jovem: "O meu pai disse-me que para ele eu já morri". "Não entendo porque me quer viva se não me liga". Revelou que quando informou o pai da sua decisão que este reagiu ao gritos. "Não me quis ouvir", contou.