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Drama

Sem poder ir a restaurantes, com escolta e longe dos filhos, a impressionante história do procurador Nicola Gratteri, há 37 anos na mira da máfia

Nicola Gratteri, que está na mira da 'Ndrangheta, mal vê os filhos. "Admito que a cada ano fica mais difícil viver assim", lamentou.
Por FLASH! | 21 de julho de 2026 às 17:07
Nicola Gratteri Foto: AP

O procurador italiano Nicola Gratteri é o homem mais procurado pela 'Ndrangheta, a máfia mais poderosa da Itália, e, por isso, há 37 anos que tem morada desconhecida, viaja em carros blindados e vive rodeado por seguranças.

Numa entrevista ao jornal espanhol 'El Mundo', Gratteri contou como é ter a cabeça a prémio há quase quatro décadas.

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"Não posso ir a lado nenhum nem encontrar-me ninguém. Praticamente nunca consegui cuidar dos meus filhos, a minha mulher sempre foi a responsável pela educação deles. (...) Dedico meu tempo livre a consciencializar as pessoas sobre os perigos da máfia ou a trabalhar na terra, que é meu hobby. Mas admito que a cada ano fica mais difícil viver assim", lamentou o procurador, que trabalha no 8.º piso da Procuradoria de Nápoles, almoça no escritório e não vai a restaurantes.

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O procurador tem dois filhos adultos, médicos, e só passa duas horas com eles, a cada seis semanas.

"Nem a minha mulher nem meus filhos conseguem ter uma vida verdadeiramente normal. Às vezes, eles também vivem sob proteção policial. Quando os meus filhos nasceram, eu já estava sob proteção. Não é uma vida fácil. Quando eram pequenos, não entendiam e ficavam zangados comigo. Mas agora que estão mais velhos, entendem a importância do meu trabalho e, embora nos vejamos muito pouco, temos um vínculo muito forte", reconhece, afiançando que a família nunca lhe pediu que mudasse de emprego.

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O motivo desta perseguição é simples: em 1989, Gratteri levou vários membros da 'Ndrangheta a julgamento. Pouco tempo depois, a casa da sua noiva foi atingida a a tiro.

"Eles tentaram criar um vazio à minha volta, isolar-me e enfraquecer-me psicologicamente. Mas eu continuei a cumprir o meu dever. E minha noiva não me abandonou: casámos no início de 1990 e ainda hoje é minha mulher", contou.

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A dois anos da reforma, Nicola Gratteri constata tristemente que terá de viver sob escolta policial até morrer.

"Já aceitei isso... Recebo ameaças constantemente. Inclusivamente frustrámos um ataque há uma semana. Intercetamos continuamente conversas em que mafiosos discutem a minha morte. Sabemos que clãs da 'Ndrangheta no exterior também se reúnem para planear a forma de me assassinar. A última ameaça de morte foi ontem [terça-feira, 14 de julho] e veio de um clã em Itália. Sempre que viajo a trabalho, antes de chegar a algum lugar, as forças de segurança inspecionam a área com cães farejadores de explosivos e revistam toda a gente. A segurança é sempre rigorosa."

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