"A minha cabeça parou ali..." o relato dramático de Rute Cardoso quando percebeu que tinha perdido para sempre o amor da sua vida... numa estrada de Espanha
As terríveis imagens daquele 3 de julho de 2025 perseguem-na desde então. Agora, a viúva de Diogo Jota dá pormenores mais pessoais de tudo o que aconteceu nas horas que se seguiram ao acidente que ceifou a vida aos dois irmãos, Diogo Jota e André Silva.O telemóvel que deixou de dar sinal. A preocupação crescente de não saber do marido que estava algures na estrada, em Espanha, a caminho de Inglaterra. A angústia e o desespero a aumentarem a cada minuto que passava sem ter notícias do seu grande amor. As tormentosas recordações do dia 3 de julho de 2025, dia de tão má memória, não desvanecem em Rute Cardoso.
A viúva de Diogo Jota dá agora pormenores de tudo o que viveu naquela data tão devastadora para a sua vida. No livro 'Diogo Jota – Nunca Mais é Muito Tempo', da autoria de José Manuel Delgado, Rute aceitou dar o seu emocionante testemunho sobre a tragédia que lhe entrou de rompante pela porta adentro.
Embora o livro ainda não tenha sido oficialmente lançado, o primeiro capítulo já foi divulgado e é ali que se pode perceber o terror vivido por Rute naquela fatídica noite e nas horas que se seguiram. Recorda as tentativas de contacto, as mensagens que não chegavam ao destinatário, o silêncio perturbador do telemóvel...
"Comecei a aperceber-me de que podia ser verdade, embora quisesse acreditar que isso era impossível. Tenho marcados onze quilómetros no relógio, feitos naquela noite, só a andar no pátio, que é grande, da casa da minha irmã", lê-se o depoimento no já referido livro.
Sem notícias, começou a ligar para todo o lado possível sem esquecer os hospitais e o hotel onde Diogo Jota e o irmão André tinham reservado quarto. Acabou por recorrer a um tio que, através de contactos, conseguiu falar com as autoridades espanholas. Numa das chamadas feitas por esse familiar, Rute apercebeu-se que algo de grave tinha mesmo acontecido.
"Ouvi o meu tio dizer: ‘Sim, são dois irmãos’. Era a certeza, forte e dura de que algo havia acontecido", recorda. Mas o pior estava ainda para vir. "De repente, o meu tio pediu-me que lhe passasse o Nuno, o meu cunhado. Ouvi o meu tio dizer-lhe: 'Os corpos estão a ser levados'. Acho que ele acrescentou 'para a morgue', mas a minha cabeça parou ali. 'Corpos?'"
A confirmação oficial chegaria pouco depois, através de telefonema de um agente da polícia espanhola: "Declaro o óbito de Diogo José Teixeira da Silva, nascido em 4 de dezembro de 1996".