Cristina Ferreira tentou justificar-se no ‘Jornal Nacional’, mas a ERC acabou por condená-la
Tudo começou com uma pergunta feita em direto e acabou por transformar-se numa das maiores polémicas em torno de Cristina Ferreira nos últimos tempos. Houve milhares de queixas, críticas à forma como o caso foi abordado e até uma explicação da apresentadora. Meses depois, a polémica tem agora novo desenvolvimento.O episódio que colocou Cristina Ferreira nas bocas do mundo remonta a abril, quando no 'Dois às 10', da TVI, se analisava o caso de quatro influencers acusados de violar, em grupo, uma jovem de 16 anos, em Loures. A conversa acabou por gerar uma forte reação após a apresentadora ter feito uma pergunta que viria a ficar no centro da polémica:
“Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: ‘Não quero mais’?”, disse Cristina Ferreira diante das câmaras e em direto.
A intervenção motivou milhares de queixas junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social [ERC]. A polémica levou mesmo Cristina Ferreira a pronunciar-se publicamente sobre o assunto, numa ida ao ‘Jornal Nacional’, onde procurou explicar o contexto das declarações e a forma como o tema tinha sido abordado no programa. Mas recusando-se a pedir desculpa.
A ERC analisou entretanto a emissão e chegou a uma conclusão pouco favorável à TVI. Na deliberação, o Conselho Regulador considera que “várias intervenções desvalorizaram a gravidade da ação dos agressores, não acautelaram devidamente a distinção entre relações sexuais e abuso sexual e foram passíveis de colocar em dúvida o não consentimento da vítima e de lhe atribuir responsabilidade pelo sucedido”.
O organismo chama ainda a atenção para a classificação etária do ‘Dois às 10’, que é 12AP, e para aquilo que considera ser o possível impacto das declarações junto dos mais novos. A ERC deixa claro que “a violência sexual e a violência de género são problemas sociais graves e fenómenos complexos” e que a abordagem pública destes temas exige “rigor e responsabilidade”.
A conclusão do regulador abrange a atuação da estação de televisão. Segundo a ERC, “a TVI não observou a ética de antena a que está obrigada”. E há ainda uma agravante: o Conselho Regulador considera que existe uma conduta reincidente. Por esse motivo, determinou que a TVI faça a leitura em antena de uma recomendação destinada a reforçar os procedimentos internos do operador no tratamento de matérias sensíveis, nomeadamente relacionadas com violência sexual. A decisão da ERC foi tomada a 9 de setembro, precisamente no dia em que Cristina Ferreira celebrou o 49.º aniversário.