Ele disse que ia ser assassinado! A arrepiante premonição de Carlos Castro sobre a própria morte
O cronista falava frequentemente sobre a morte e chegou a afirmar, anos antes da tragédia, que sabia como iria morrer. Acertou no pressentimento.Há frases que só ganham verdadeiro significado depois de uma tragédia. No caso de Carlos Castro, algumas das palavras que foi deixando ao longo dos anos sobre a própria morte tornaram-se particularmente perturbadoras depois de 7 de janeiro de 2011. O cronista falava da morte com frequência, imaginava como seria o seu fim e chegou a partilhar com amigos aquilo que acreditava poder acontecer-lhe.
O assunto voltou a ser recordado no passado domingo, 23 de agosto, no programa 'Portugal Criminal', da SIC, onde amigos próximos recuperaram algumas dessas conversas. Fernanda Dias, amiga de Carlos Castro, lembrou sobretudo a ligação quase visceral que o cronista tinha a Nova Iorque. A cidade era especial para ele e não escondia o desejo de que fosse ali que terminasse os seus dias.
“Nova Iorque sempre foi a cidade dele e ele sempre disse, de facto, que gostava de morrer em Nova Iorque”, contou. Mas Carlos não se limitava a falar do lugar onde gostaria de morrer. Segundo a amiga, também pensava sobre a forma como seria recordado. “Ele falava muito na morte, como é que iria morrer, o que é que as pessoas se iriam lembrar dele”, revelou.
A declaração mais inquietante, porém, terá surgido anos antes da tragédia. Durante o referido programa foi recordado que, numa entrevista antiga, Carlos Castro afirmou que sabia que iria morrer assassinado. Uma frase que, naquele momento, poderia parecer apenas uma das muitas reflexões do cronista sobre a morte. Chegou mesmo a afirmar que seria assassinado.
Em 2010, poucos meses antes de viajar para os Estados Unidos, Carlos terá sido ainda mais específico. “Morro em Nova Iorque.” Acabaria por ser exatamente isso que aconteceu. Abel Dias, outro dos amigos do cronista, explicou que Carlos tinha consciência de que o estilo de vida que levava poderia colocá-lo em situações de risco.
Conhecia pessoas diferentes, circulava em ambientes distintos e, segundo o amigo, nem sempre tinha cuidado com quem deixava entrar na sua vida. “O Carlos achava sempre que um dia, se calhar, a morte dele também era uma coisa parecida”, recordou Abel Dias, referindo-se a amigos que tinham morrido de forma violenta ou devido à SIDA.
Para o amigo, Carlos “metia-se por sítios que era difícil de andar” e acabava por correr riscos. Mas havia outra coisa que impressionava quem lhe era próximo: a insistência com que falava da morte. Cláudio Montez, um dos seus grandes amigos, recordou que esse assunto se tornou ainda mais presente nos últimos tempos de vida. Até a celebração dos 65 anos terá sido encarada pelo cronista de uma forma pouco habitual.
“Ultimamente ele falava muito na morte. Aliás, os 65 anos que ele comemorou num restaurante em Lisboa foi no sentido de ser o último aniversário dele”, contou. A 7 de janeiro de 2011, Carlos Castro foi encontrado morto no quarto do Hotel InterContinental, em Nova Iorque. Não chegou a celebrar os seus 66 anos de vida que seriam poucos meses depois.