O que aconteceu no quarto 3416 do hotel InterContinental, em Nova Iorque, 7 de janeiro de 2011? O mistério mantém-se sobre uma das histórias criminais mais marcantes da última década. Renato Seabra foi condenado pela morte de Carlos Castro, mas, tantos anos depois, a discussão sobre o que terá desencadeado aquela explosão de violência continua a levantar questões.
Foi precisamente sobre isso que David Touger falou no programa 'Portugal Criminal', da SIC, emitido no passado domingo, 23. O advogado norte-americano, que acompanhou Renato Seabra no processo, começou por reconhecer que ninguém pode saber com absoluta certeza o que acontece na mente de outra pessoa. “Nunca se sabe o que vai na mente de uma pessoa. Não existe máquina nenhuma capaz de fazer isso”, afirmou o jurista norte-americano.
Ainda assim, Touger acredita ter conseguido perceber o que poderá ter levado Renato Seabra a perder o controlo. A conclusão baseia-se, segundo o próprio, nas conversas que manteve com o jovem português e no trabalho desenvolvido com os especialistas que acompanharam o caso. “Penso que sei o que passou pela cabeça do Renato, com base nas conversas com os especialistas e com o Renato”, explicou.
E é aqui que surge a revelação. Segundo David Touger, tudo poderá ter começado com uma situação aparentemente concreta: Renato Seabra queria regressar a Portugal, mas Carlos Castro não lhe entregava o passaporte. “Creio que o que desencadeou aquele episódio foi o facto de o Renato querer voltar para casa e o Carlos não o deixar, pois tinha o passaporte dele sem o qual não poderia sair dos Estados Unidos”, revelou.
O advogado considera que a recusa de Carlos Castro em entregar o documento terá sido determinante para agravar uma situação que já seria emocionalmente instável. “O Carlos recusou entregá-lo”, acrescentou Touger.
Mas, na leitura do antigo advogado de defesa, não terá sido apenas o conflito relacionado com o passaporte a explicar o que aconteceu. O episódio terá funcionado como um gatilho para um problema psicológico que, segundo a defesa apresentada na altura, teve um papel importante no comportamento de Renato Seabra.
“Penso que isso, entre outros fatores, acabou por trazer à tona o transtorno bipolar”, afirmou David Touger. A partir daí, acredita o advogado, Renato Seabra terá entrado num estado que o levou a agir de uma forma extrema. “Viu-se numa situação que o levou a agir daquela forma”, concluiu.
A versão apresentada por Touger não altera o que ficou determinado judicialmente, mas acrescenta um novo olhar sobre os acontecimentos que antecederam o crime. Para o antigo advogado, a questão do passaporte poderá ter sido o rastilho que fez desencadear uma situação muito mais complexa e que terminou com a morte violenta de Carlos Castro.