Mãe ficará sem a guarda e pai poderá não ter condições! Quem pode, então, ficar com os meninos abandonados?
A quem vão ser entregues os pequenos Zacharie e Barthélémy quando regressarem a França? Há várias possibilidades em cima da mesa."Até ao fim desta semana, ou logo no início da próxima, as crianças já estarão em França!" Esta afirmação é feita à FLASH! por Carlos Anjos, ex-inspetor-Chefe da Polícia Judiciária (PJ), referindo-se às duas crianças francesas de 5 e 3 anos, que foram largas na tarde do passado dia 19 pela mãe e pelo namorado desta na beira de uma estrada nos arredores de Alcácer do Sal.
Com o pai em França, a mãe detida e sem família próxima no nosso País – ou que se tenha disponibilizado para viajar para Portugal para ficar com os meninos de forma temporária – a comissão de Proteção de Crianças e Jovens acabou por colocar Zacharie e Barthélémy numa família de acolhimento francesa, residente em Portugal.
A questão que agora se coloca é saber o futuro dos meninos quando chegarem ao seu país. Ficarão com quem, já que a mãe, Marine Rousseau, que era quam tinha a guarda total das duas crianças está em prisão preventiva e, depois de ter feito o que fez, não poderá continuar a ter a responsabilidade sobre os filhos. O pai, por sua vez, também poderá não ter condições de ficar com Zacharie e Barthélémy, mesmo que já tenha manifestado essa vontade.
Como se sabe, o pai (que por enquanto mantém o anonimato) tinha visitas condicionadas e supervisionadas. Assim, caberá às autoridades competentes francesas apurar se este homem tem condições de ficar com as crianças. "Portugal não vai entregar as crianças! Nem ao pai, nem aos avós, nem a nenhum familiar, porque não têm as responsabilidades parentais, quem as tinha era mãe, que está presa. Também não vamos entregar, porque não temos como avaliar se os avós, tios ou pai têm alguma capacidade. Quem tem que avaliar são os franceses", esclarece ainda Carlos Anjos.
O ex-inspetor-Chefe da Polícia Judiciária não tem dúvidas do que vai acontecer: "O tribunal vai avaliar quem tem condições para ficar com as crianças. Se a Segurança Social e a autoridade nacional francesa chegarem à conclusão (porque vão escolher o melhor) que não existe melhor, que não há ninguém com condições de ficar com as crianças, vão para uma família de acolhimento em França", remata.
"A primeira hipótese é o pai. Se o pai não tiver condições, vão tentar encontrar na família mais restrita, tios, avós, alguém que tenha condições de ficar com os meninos. Se não for encontrada solução na família, vão para uma família de acolhimento abrindo um processo para possível adoção cada vez mais se aposta no enquadramento das crianças em famílias de acolhimento", conclui.