O drama da doença de Ricardo Landum, compositor de Tony Carreira: "Assustei-me, chorei, senti-me só, senti-me desesperado"
O compositor do cantor romântico, entre muitos outros artistas da música ligeira portuguesa, foi diagnosticado com esclerose múltipla.
Ricardo Landum foi o convidado de Júlia Pinheiro no seu talk show da SIC, numa entrevista emitida esta quinta-feira, e falou do seu diagnóstico de esclerose múltipla, que recebeu em 2010, depois de perder o pai para um cancro nos intestinos, e que o deixou numa cadeira de rodas.
"Assusta, mas possivelmente dá-se a volta, porque assustar-me-ia muito mais uma doença letal, que me dissessem que tinha 6 meses de vida, mas quando o médico me disse que isso não mata, só mói, eu aí pensei que do mal o menos’", começou por referir o compositor de nomes como Tony Carreira ou Ágata.
"Já tinha percebido há muitos anos, sentia uma certa dormência aqui, pensava que era a coluna. Eu tinha um medo do médico que era horrível, de injeções e de exames. Quando aparece assustei-me, chorei, senti-me só, senti-me desesperado, claro que senti. Mas não podemos ir abaixo, há um momento em que se chega a uma zona do charco em que já não podemos ir mais fundo, e portanto temos que emergir", continuou.
Por outro lado, Ricardo Landum não se abstém de olhar para o lado menos negativo da situação: "Foi complicado, o que me salvou foi muito a música. E o facto de poder continuar a exercer. (…) Eu até fui agraciado porque eu tenho uma vida que não é difícil. Imagina muitas pessoas como eu, que nem quero pensar, pessoas que têm profissões comuns, estão a trabalhar num banco ou num café e têm de servir a mesa, e de repente têm de viver da pensão que o Estado dá que é uma porcaria e têm de viver da pensão porque não podem exercer", frisou.
"Ela apanhou-me, também a apanhei, porque a enfrentei, porque tenho alguém que me ajude, ainda por cima a minha profissão é ótima. Já me vitimizei em casa, às vezes quando vejo o meu puto jogar à bola e eu não posso. Eu tenho desespero e tenho choro, calma, mas tento fazer com que seja 5% de lágrimas mais 5% de sofrimento mais 10% de assimilação, tentar aceitar, isto tudo tem um processo. Os primeiros anos foram difíceis, quis viver a 300 à hora nos primeiros dois anos, possivelmente se não tivesse vivido eu andaria de bengalinha e não teria caído onde caí. De repente vou para a cadeira e estou na cadeira", afirmou também.
"Cometi excessos, sim. Com qualquer pessoa é impossível não mexer, mas não deixei que a coisa me vencesse, tive a sorte de encontrar algumas pessoas que me ajudaram e aí tive de renascer e dar a volta. Continuei a fazer música, possivelmente [melhor] e se calhar até foi vantajoso em certas coisas, claro que não é vantajoso porque ninguém quer ter isto", frisou por fim.