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Drama

Onde está Joana Cipriano? Mãe quebra o silêncio 22 anos depois

Leonor Cipriano está em liberdade há sete anos e vive hoje na mendicidade. Garante que não matou a filha e contou a sua versão sobre o que aconteceu naquele dia.
28 de setembro de 2026 às 09:44
Leonor Cipriano Foto: Foto: SIC
Caso Joana, João Cipriano, Leonor Cipriano Foto: Flash
Leonor Cipriano Foto: Foto: SIC
Caso Joana, João Cipriano, Leonor Cipriano Foto: Flash
Leonor acusa João Cipriano de matar Joana Foto: Flash

Joana tinha apenas oito anos quando saiu de casa, na aldeia da Figueira, em Portimão. Foi a 12 de setembro de 2004, num sábado, que a menina desapareceu sem deixar rasto. Leonor Cipriano, a mãe, diz que lhe deu 10 euros para ir ao café comprar algumas coisas. “Dei-lhe 10 euros, e a menina foi”, contou em entrevista à SIC, rompendo um longo silêncio sobre um dos casos policiais mais mediáticos do país.

O desaparecimento da criança desencadeou uma enorme operação de buscas. Com o passar dos dias, as suspeitas acabaram por se concentrar na família e Leonor Cipriano e o irmão, João Cipriano, foram detidos por suspeita do envolvimento na morte da pequena Joana.

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João Cipriano confessou o crime e apresentou diferentes versões sobre o que teria acontecido à sobrinha. Chegou a levar os investigadores a vários locais onde dizia ter escondido o corpo. Joana nunca foi encontrada. Em novembro de 2005, Leonor Cipriano ee o irmão foram condenados pelo homicídio da menina e pela ocultação do cadáver. A mãe recebeu inicialmente uma pena superior a 20 anos, mais tarde reduzida para 16 anos e oito meses. Dois dos juízes conselheiros que analisaram o recurso defenderam a absolvição de Leonor, mas a condenação manteve-se.

Leonor nunca aceitou a sentença. E, mais de duas décadas depois, continua a negar qualquer envolvimento na morte da filha. Questionada pela SIC sobre a relação que tinha com Joana rejeitou a ideia de que maltratasse a menina. “Mentira. Nunca. Chapadas? Porrada? Nunca”, afirmou. “Agora punha de castigo, punha, agora bater não batia.”

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Mas há um pormenor daquela noite que Leonor Cipriano recorda agora e que considera importante: o irmão foi atrás da menina. “Assim que o meu irmão foi atrás dela eu desconfiei logo”, afirmou. Segundo Leonor, João Cipriano não tinha dinheiro e, por isso, estranhou que tivesse decidido ir ao café. Quando o irmão regressou, Leonor diz que lhe perguntou pela sobrinha. “Então João, viste a menina?” A resposta, segundo o seu relato, foi: “Não, a menina não está aqui”. 

Questionada sobre o motivo pelo qual não saiu imediatamente à procura da filha, Leonor explicou: “Não fui logo atrás porque tinha o comer ao lume, depois é que eu fui ao café à procura e ela já não apareceu.”Agora, 22 anos depois, a versão de Leonor inclui também uma suspeita dirigida ao próprio irmão. Questionada sobre o que poderá ter acontecido à menina, diz que já ouviu pessoas afirmarem que João Cipriano a vendeu. “Já me disseram certas pessoas que ele a vendeu”, afirmou. João Cipriano, por sua vez, apresenta uma acusação semelhante contra a irmã, dizendo que foi Leonor quem terá vendido Joana.

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A mãe de Joana voltou ainda a falar das primeiras declarações que prestou à Polícia Judiciária e da confissão que mais tarde viria a negar.“Vocês vão levar-me lá para dentro, eu não fiz mal à minha filha. Vou apanhar estes anos todos... Levem-me presa, podem levar-me à vontade. A minha consciência está tranquila, eu não lhe fiz mal nenhum”, recordou. As acusações de agressões durante os interrogatórios chegaram também aos tribunais. Em 2009, o Tribunal de Faro deu como provadas agressões contra Leonor, embora não tenha sido possível determinar qual dos inspetores da Polícia Judiciária as tinha cometido.

Agora, aos 54 anos, Leonor diz continuar a viver com as consequências de um caso que marcou para sempre a sua vida. “É um grande sofrimento que fizeram comigo. Comigo e com a minha família”, afirmou à SIC. Falou também do pai, que morreu acreditando que ela tinha feito mal à neta: “Com a minha mãe, com o meu pai que já faleceu e foi para baixo da terra pensando que fui eu quem fez mal à neta.”

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Joana teria hoje 30 anos.

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