'Rabo de Peixe' é uma narrativa com um ritmo e uma intensidade enormes, ao estilo das melhores séries contemporâneas. A história está muito bem escrita, essa é a parte melhor do produto, porque leva ao limite da ficção um acontecimento real - o naufrágio que encheu a ilha açoriana de cocaína.
O primeiro dado relevante sobre 'Rabo de Peixe' é que a generalidade dos leitores provavelmente não vai ter oportunidade de ver a série de que toda a gente fala. E muitos dos que falam não terão visto mais que o trailer ou a promoção. Isto porque estamos a falar de um produto da plataforma Netflix, que se paga à parte, o que não está ao alcance de qualquer carteira.
Podemos considerar imoral o facto de o Estado ter ajudado a produzir uma narrativa que passa numa plataforma destinada apenas aos privilegiados que a podem pagar. Mas isso é uma falsa questão. Olhemos, não para esse detalhe, mas para o todo: qualquer progresso na indústria audiovisual acaba inevitavelmente por contaminar todo o mercado. 'Rabo de Peixe' é uma narrativa com um ritmo e uma intensidade enormes, ao estilo das melhores séries contemporâneas.
A história está muito bem escrita, essa é a parte melhor do produto, porque leva ao limite da ficção um acontecimento real - o naufrágio que encheu a ilha açoriana de cocaína. As quatro personagens principais têm uma dinâmica extraordinária, onde só incomoda o abuso de um vernáculo que serve apenas para piscar o olho ao público jovem. José Condessa e Helena Caldeira, a Sílvia de cabelos cor-de-rosa, têm desempenhos soberbos. Albano Jerónimo tem uma personagem que lhe marcará a carreira. Tecnicamente, é tudo irrepreensível. "Rabo de Peixe" é filha do seu tempo, um tempo de narrativas absorventes na televisão, que cortam a respiração, e que apostam na captura plena da atenção do espectador.
Esta série portuguesa é isso: quando se entra, a vontade é ver o próximo episódio, e logo o outro, e assim sucessivamente, até ficarmos aliviados com a notícia de que vem aí uma segunda temporada.
INFORMAÇÃO - FIM DO PESADELO
Alexandra Reis
Talvez no final da comissão Parlamentar de Inquérito à TAP muitos portugueses não se recordem da notícia que lhe deu origem: uma indemnização vergonhosa de 500 mil euros paga a uma antiga administradora da empresa que entrou para o governo pouco tempo depois de receber esse dinheiro. A notícia foi revelada pelo 'Correio da Manhã' faz esta sexta-feira exatamente 6 meses. A saturação dos portugueses foi muito acentuada pela overdose de diretos em que insistiram, quase doentiamente, três dos quatro canais de informação nacional. Horas infindas de depoimentos sem qualquer relevância, e muitas vezes com meras repetições de frases batidas. Um canal de televisão é um valor relevante para a comunidade. É fundamental refletir sobre o que se passa nos canais de cabo, que muitas vezes abdicam do seu próprio critério editorial só para encherem horas de emissão. Um tema recorrente a que voltarei sempre que se justifique.
PROGRAMAÇÃO - SIC JÁ GANHOU 2023
Diana Chaves, Marco Horácio, Salve-se quem PuderFoto: José da Palma
É a transposição televisiva dos jogos de tabuleiro para toda a família: diverte, é de consumo rápido, distrai e reconcilia-nos com a televisão generalista. A receita de voltar a formatos antigos é muito usada pela gestão de Daniel Oliveira, na SIC. Formatos antigos, e apresentadores com história têm sido fatores de diferenciação. Na verdade, isso nem sempre tem dado certo. Neste caso, é na mouche! Os serões de domingo estão controlados. A SIC já ganhou 2023, e prepara-se para chegar a setembro com muitas probabilidades de ganhar todos os meses do ano.
SOBE - MARCO HORÁCIO
Marco Horácio
Depois de uma aventura malsucedida na TVI, onde praticamente ficou sem nada para fazer, eis que regressa à SIC pela porta grande da parede do "Salve-se Quem Puder", que se prepara para arrasar todo o verão.
DESCE - JOSÉ FRAGOSO
José Fragoso
O mês de junho tinha tudo para ser único para a RTP, mas na verdade o canal 1 ficará novamente em último. Se não foi agora, dificilmente a estação pública conseguirá derrotar pelo menos uma das privadas.
DESCE - PEDRO NUNO SANTOS
Pedro Nuno Santos
Vai como rosto de uma página negra da política portuguesa, em que horas infindas de depoimentos sucessivos afastaram ainda mais os portugueses da instituição parlamentar.
Com mais equipas, mais jogos e mais jogadores, este Mundial suscita uma curiosidade adicional pelo facto de se realizar em três países, ainda para mais sendo um deles a América de Trump.